E hoje a saudade bateu forte. Bateu um banzo louco. Não é so
implicância com a cidade, é dor de estar longe de tudo e de todos que amo. Aqui
tenho construído a minha chamada rede de apoio e de fato a convivência com a
cidade vem melhorando, mas ainda assim não me sinto
“Agora é hora de você se assumir e sumir”
Mas se assumir dói. Sumir dói. Crescer dói. Fazer tapioca e café
pra comer sozinha dói... Fazer meu almoço em casa e ir trabalhar todo dia dói...
Viajar só as vezes pra ver os meus dói mais ainda. Não ter mais momentos
reunidos com eles diariamente dói. Passar por essa reviravolta na minha vida
longe de tudo e de todos é loucura e às vezes, quando você simplesmente pensa
em tudo, você sente arder. E arde mais quando você se sente sozinho. Pior ainda
quando se sente sozinha “acompanhada”. Tava com mais uma das minhas companhias
masculinas de apoio e simplesmente me senti sozinha. Não que a companhia dele
não seja boa, pelo contrário. Me faz bem e me faz rir. Mas me faz lembrar que
no fim de tudo, estou só.
Sozinha. As vezes com amigas que estou fazendo.
As vezes com minha companheira de dor e de crescimento. As vezes... Mas no
fim de tudo, só. Mas aí eu lembro de um poema que li esses dias. Por que estar
só assusta tanto, se no fim das contas, nascemos e morremos só? E talvez esse seja meu momento atual:
aprender a ficar só. Aprender a construir relações, mas me mantendo só também.
A hora é de conhecer pessoas, conhecer o mundo dessa forma que estou agora e
como devo estar nos próximos anos: sozinha. Porque preciso aprender a me
bastar. Preciso aprender a ser completa de novo. Não acho que no meu
relacionamento usava ele pra me completar. Talvez as vezes eu realmente o
usasse como bengala mesmo. Mas acho que esse relacionamento mais me somava do
que me completava. Mas no fim de tudo, a forma como acabou, a impressão que me
dá é que uma parte de mim foi junto. Partes bonitas, partes infantis e
adolescentes.
Foi-se embora meu amor de adolescência. Foi-se embora um amor
bonito, inocente. Um jeito que eu tinha de acreditar no amor e nas relações. Um
jeito bonito de admirar um companheiro. Um jeito bonito de confiar. Isso foi
embora, eu acho, junto com a relação. Não caibo mais em um conto de fadas. Eu
cabia. E por mais que isso fosse bonito, o mundo não é um conto de fadas e não
posso mais viver como se fosse. Não que eu não vá mais conseguir amar ou me
entregar de novo. Devo conseguir. Mas nunca mais devo amar como amei. Talvez
ame até melhor, de um jeito mais real. Porque o real deve ser mais bonito que o
ideal, é só saber ver. J
É só uma maneira de enxergar. E que
venham amores reais... porque os ideais não são suficientes. E por isso mesmo
só são belos no modo superficial de olhar. Porque quero aprofundar. O desejo do
momento é esse.
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