segunda-feira, 16 de maio de 2016

“ Um menino me ensinou quase tudo que eu sei. Era quase escravidão e eu nem era tratada como rainha. Eu fazia muitos planos e eu e ele so queríamos estar ali (...) eu não tinha aonde ir. Talvez egoísta como ele é, tenha esquecido de ajudar a mim como eu o ajudei. Ele também estava perdido e por isso se agarrou/se agarra a mim e a esperança de me ter de volta também. E dizia ainda é cedo...”








Hoje uma entidade me assustou e me fez pensar em tudo de novo, mas em tudo de uma forma boa, ou ao menos, saudável. No centro espírita, na consulta mediúnica, uma entidade falou em tom de ameaça: “você não vai ficar nem com um, nem com dois nem com ninguém, duvido você parar com alguém”. E falou que meu ex não me perdoava porque eu o tinha deixado. E que havia uma moça com ele, que também não me perdoava por isso. Me assustei e chorei. Disse que estava me apegando a alguém, mas que não sabia como proceder, que tinha medo. Ela falou que eu tinha que perdoar e rezar pelo ex e pela menina e que só então eu conseguiria seguir adiante de forma definitiva. Ela disse que o tempo ia me mostrar que a pessoa com quem eu estava era uma pessoa boa, que tinha valores. Voltei pra casa em mil pensamentos e ao começar a contar pra uma amiga me dei conta do verdadeiro mal que tinha feito a Larissa. Não foi só ir falar com ela no INSS e xingá-la, mas pressionar por uma demissão. E no fim, saber que só após a demissão caio havia se separado dela, porque ela ficou com raiva. O maior escroto dessa história toda foi ele, com certeza, que continuou com seu emprego, sendo chefe, a menina foi demitida e eu sai arrasada e machucada de tudo. Ele errou? Sim, errou. Quebrou uma confiança e me mostrou que eu não devia permanecer naquela relação e aceitar tudo aquilo, que uma família naquelas bases não daria certo. Não deu. Hoje tenho certeza disso. E acho até que era preciso que tudo isso acontecesse para que nós dois amadurecêssemos, quem sabe. Bom, mas até agora, estou aqui vomitando mágoas de novo. 

Caio errou? Errou. Errou feio, machucando alguém que não merecia. Mas no final das contas, quem não erra? Erramos e enganamos a todo momento pessoas que não merecem porque estamos preocupados com a nossa felicidade e com o nosso bem estar, somente com ele. Somos egoístas. Ele foi só escroto? Não, foi um bom companheiro durante anos. Foi quem me apresentou ao sexo. Foi quem me possibilitou algumas noites de farra. Foi quem construiu alguma confiança com minha mãe. Foi quem me apresentou jeri. Foi quem me apresentou Canoa quebrada, Foi com quem descobri pirenopolis, foi com quem descobri o amor, e tantos outros sentimentos e lugares.




 Caio, é uma pena que nosso egoísmo (nosso, eu também errei nessa relação, apesar de ter feito tudo o que estava ao meu alcance para consertá-la) tenha culminado no fim de uma relação que eu tinha como leve e bonita. É verdade que você me maltratou e me fez me detestar por algum tempo. É verdade que você me torturava e me deixava insegura. Mas acredito sinceramente que você o fez de modo inconsciente, provavelmente por não conseguir lidar com a mulher que estava me tornando. Você não soube pedir ajuda. E eu não soube parar na hora certa. E a relação foi se extinguindo, a admiração também. Até que culminou em tudo que aconteceu. E hoje te peço perdão pelo mal que te desejei tanto tempo. Não, Caio, você não merece sofrer. Você, por tudo que você me fez antes de me maltratar, você merece ser feliz. Você merece se encontrar. Você não consegue se perdoar pelo que fez, mas se perdoe. Eramos imaturos. Aconteceu. Você perdeu uma mulher maravilhosa, é verdade, mas será que não é perdendo algumas coisas que se tenta lutar por outras? Sim, sinceramente, lhe desejo o perdão. Que nós nos perdoemos. E que tudo fique em paz. Você merece ser feliz. E eu torço por isso. Secretamente, por ora. Não quero ouvir conselhos bobos ou afirmações de que sou besta ou boba. Talvez eu seja. Mas quer saber? Gosto de ser assim.



Larissa, hoje, talvez só hoje tenha me dado conta do que fiz a você. Me perdoe. Hoje sei que não há nada que eu possa fazer pra reparar meu erro. Hoje percebo: sou discurso. Tenho discurso, mas na primeira oportunidade e no primeiro teste de fogo da vida, falhei e muito com você, moça de 16 anos que cresceu e foi ensinada a seduzir um homem. Moça, me perdoe. Vinha de outra realidade, a realidade da mulher branca, cis e HT, riquinha e privilegiada, que foi afogar as magoas no Chile e nos EUA. E la dessa realidade, cruelmente, me senti no direito de lhe humilhar lhe chamando de rapariga, simplesmente porque você e meu marido na época estavam apaixonados e você decidiu fazer o que as novelas ensinam: arriscar tudo por amor. Mas, a moça cis, branca e HT, que se diz feminista, ainda foi capaz de algo mais cruel: pedir sua demissão. Eh verdade que hesitei, mas é verdade também que fiquei feliz que você tenha saído. Quis que você “pagasse”, quis que você “aprendesse” e esqueci por completo da sociedade em que estamos. Você foi mal falada no seu trabalho. Você saiu do trabalho com cochichos. Você saiu difamada. Eu mesma ouvi de uma guarda: “ela é conhecida”. Poxa, moça, isso deve ter doído. Por mais que você tenha errado, não era assim que as coisas deviam acontecer. O mais errado foi ele. Ele deveria pagar pelo que fez. E como foi que pagou? Continuou sendo chefe. Por mais que tenha recebido críticas, provavelmente nenhuma delas foi tão pesada como a sua, mas, veja que ironia: ele tinha um compromisso e um dever ético. Você tinha 16 anos. E eu contribui com isso. Hoje, talvez so hoje eu tenha percebido. Moça, do fundo do meu coração, me perdoe. E não por ter lhe chamado de rapariga. Isso foi o mínimo. Mas por ter tirado de uma moça pobre o direito de concluir um estágio que lhe era um sustento de vida enquanto você concluía o ensino médio, enquanto muitas nem concluem. Espero que o Caio consiga refazer parte do que eu fiz. E não, você não precisa me pedir perdão pelo que fez. Passou, de verdade. Siga. Siga em paz, seja feliz e que Deus lhe abençoe. E me perdoe por depois ainda ter ficado de alguma forma em seu caminho. Se não for o caio, que você encontre outro homem, ou um emprego e faça uma boa viagem com amigas. Siga, siga em frente, perdoemo-nos.




                       

Sobre confiar de novo. É, é difícil confiar depois dessas histórias todas na vida de alguém. O alerta ta ligado, mas ao mesmo tempo que ta ligado, também ta ligado o jogar expectativas de felicidade e relacionamento em outra pessoa. Esses dias, ao mesmo tempo que me aproximo de Bruno, percebo o quanto estou insegura com tudo isso. E o quanto venho jogando coisas pra ele lidar. Ele não precisa lidar com nada disso. Eu preciso. E, se foi Deus quem me colocou na vida dele, foi Deus quem o colocou e quem está me vendo perceber mais uma vez, mais do que nunca. O problema do meu relacionamento não foi só caio. EU joguei expectativas em Caio e ele não soube lidar com isso. E não posso fazer isso com você simplesmente por estar carente e só em uma cidade. Há tanta coisa a se fazer só. Estar com você é só mais uma delas. Você tem uma vida, arianinho. Siga. Podemos seguir juntos por um tempo, quem sabe, mas claramente seus caminhos são outros. Serão ser juiz federal em algum outro estado longe de mim. E eu, eu espero ser a psicóloga do tribunal com quem você dividiu bons momentos.


 Porque você e meu momento é isso: reconstrução. O coração não é o mesmo. Nunca mais será. Uma vez partido, não cola. Não como era, mas mais bonito: como um mosaico. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

De volta! Passei um tempo sem escrever, em parte porque estava sem computador, e acabei ficando com preguiça de passar os textos do celular pro blog! Mas, agora com um computador, quero voltar a escrever! Bom, o texto de hoje é sobre os ultimos dias.. as ultimas confusões! La vai:

Dias felizes, dias tristes... Vamos pra alguns significativos.

Com o fim do são joão, de tantas farras, ficou Carlos de romancinho. Mas esse romance já tinha começado a me incomodar. Por horas queria ve-lo. Por outras, queria minha solteirice de volta. Não conseguia me apegar completamente. Era estranho. E lembrei que com meu primeiro namorado foi exatamente assim. Eu não conseguia ficar com ele o tempo todo e todo mundo achava estranho. Era um exercício de apego. E com o tempo, com muito tempo depois, consegui. Será que vou passar por esse exercício de novo? Bom, na época, dei tempo ao tempo, mesmo sem querer. Que seja então. Até que chega o dia 08. Passei o dia tentando sorrir, mas ainda lembrando. Há 04 anos eu entrava na igreja, sorrindo, feliz, com musicas escolhidas por mim. Há 04 anos eu entrava com sapatos vermelhos pra dizer a Deus, a minha família e a sociedade que eu amava o Caio e que iria amá-lo por toda a vida e a partir disso, construiria uma família. É, a família não deu certo. Por n motivos, mas não deu. Acabou. Ficou a dor, agora mais calma, mas que ainda existe. E nesse dia doeu um pouco. E foi assim:


No dia 07 a noite eu lembrei que dia era aquele. Cheguei em casa, passei horas conversando com Samara e finalmente subi. Acho que estava evitando chegar em casa, mas cheguei. Olhei pra cama, ensaiei um choro e parei. Coloquei uma musica animada, dancei e lembrei de tanto eu tinha vivido até ali e o quanto ainda precisava viver. A história precisa (va) ficar da “porta pra fora”. Olhei minhas roupas bagunçadas ainda da ultima noite de festa e pensei: O guarda roupa é só meu. O ap é só meu. Mãos a obra! E passei a arrumar a parte od guarda roupa que ainda estava vazia, a espera de mim. Carlos chateado, achando que ia me ver e ficar de casalzinho, com saudades porque tinha ido a Recife. Expliquei que não tava no clima.  E que no outro dia provavelmente não estaria. Era um momento meu e eu precisava vive-lo. Rezei e cansada dormi. Acordei, fui trabalhar, malhar e pro salão. Passei um dia entre away e triste, tentando lutar contra as lembranças. Quando saí do salão, lembrei com mais força e chorei. Chorei e gritei no carro sozinha dirigindo. Um garoto que limpava vidros de carro me olhou no sinal e eu tive vergonha de chorar, sendo que provavelmente não tinha sentido metade da dor que ele tinha sentido. Mas continuei chorando, cheguei, troquei de roupa e fui pro Centro Espirita com Samara. No carro ainda ensaiei um choro. E Samara me acalmou dizendo tudo que eu já tinha feito e tudo o que ela tambem tinha passado. Perguntou se eu não queria voltar pra Caio. Respondi que não. As lágrimas já não eram por ele e nem talvez pelo casamento em si. Era por mim, que tanto tinha feito e tinha ficado ali, sozinha, tentando ressignificar minha vida. Fomos pro centro. Na palestra, o palestrante explicou que tudo que passávamos era, de carta forma, uma escolha nossa antes de vir a esse mundo. Brinquei, pensando que eu devia estar fora de si quando escolhi... Na hora da oração, senti coisas parecidas com o que há algum tempo sentia.. “levanta-te”. Fui ao atendimento fraterno. A moça sorriu e disse> “levanta-te e anda”. Falou um pouco sobre a dor que ainda estava ali e me recomendou participar mais do centro. Me senti melhor. Na saída vi Carlos. Falei rapidamente com ele e fui pra casa. Já em casa, expliquei tudo o que tava sentindo e que era melhor me manter afastada. Ele ficou chateado. Mas fiquei melhor com a situação. Só que continuou insistindo e eu fui fraquejando. As vezes sentia falta e mandava mensagens. Ele me deixou na rodoviária e fui dar aula em Serra talhada. Saí com ele e Samara após a reunião do Centro da ultima quarta. Mas em Serra, fiquei com outro rapaz. Na segunda, com outro em campina, simplesmente porque não quis resistir ao tesão do momento. E nessa semana, fez um ano que a minha vida virou de cabeça pra baixo. Dia 20 de Julho. O dia que achei a carta. A semana com uma cabeça revirada, confusa. A semana que vim ao fortal chorando, e apesar de ter amado tudo, voltei pra Campina desejando nunca mais vir a um Fortal e viver a loucura que vivi. E, após um ano, aqui estou, com abada comprado, desejando mais loucuras em minha vida... Ah, a experiência. Ah, o se deixar levar. Ah, o se permitir. “mude e esteja pronto a mudar novamente”. Mudei. A vida me fez mudar e eu acompanhei. Nesse sentido, é bom olhar pra trás e ver a vida que eu soube re construir nesse ano.



A Sheila me relembra disso o tempo todo. Se por um lado, Carlos me questionou para quando eu ia “continuar na tristeza” ou “continuar no luto”, minha amiga, que me conhece bem melhor, olha pra mim e diz: amiga, você foi incrível. Você não parou na vida. De fato. Lembro bem do dia que escrevi um outro texto e enviei pro Caio...

Trecho: “Estou na casa se uma amiga em Fortaleza. Ela é independente, solteira, bonita. Já sofreu muito por e com ex-amores e hoje, como ela mesma diz, varia o cardápio enquanto não encontra um que valha a pena. É exigente e suas qualidades lhe permitem isso. Esse ambiente tem me feito pensar na possibilidade de que estou tendo uma ocasião que me permita fazer o mesmo. Ser assim: bonita, jovem, independente e solteira novamente. E bem provavelmente, exigente.”
Lembro que pedi pro Caio comentar e ele simplesmente disse que “eu não tinha o perfil da Sheila”, com um certo ar de crítica. Só que, mal sabe ele que somos construídos pelas contingências. Eu nunca tive esse perfil porque sempre namorei. Nunca havia estado solteira e independente. E aí me permiti descobrir como seria. E sinceramente, apesar de ter doído, gostei de mim solteira. Gosto do que aprendi a ser e de como penso. Se sou galinha? Não, apenas gosto de viver sensações diferentes. E o faço sem machucar ninguém, sem enganar ninguém. Um dia, talvez, ache alguém pra viver juntos. Mas se não achar, já sinto que vou conseguir continuar construindo minha vida por aqui...



“É bom olhar pra trás
E admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente
É bom, nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente”

“Eu não vou chorar
Você não vai chorar
Ninguém precisa chorar
Mas eu só posso te dizer
Por enquanto
Que nessa linda história os diabos são anjos”


Sim... nessa história, os diabos são anjos. Caio e Larissa não me fizeram mal. Me fizeram bem. Já pensou se eu continuasse a mesma? Que chato, seria! Definitivamente, só tenho a agradecer pela oportunidade que me foi dada! Nesse exato momento, tenho orgulho de mim! A vida me deu um limão. Aí eu juntei cachaça e açúcar e fiz uma caipirinha. =] 


terça-feira, 21 de abril de 2015

Revisitando a dor do divórcio

A dor que descrevi no último texto foi a dor antes da assinatura. E já tava no seu processo de dor que ia passando aos poucos. Voltava algumas vezes, principalmente quando falava com minha mãe, que teimava em falar nisso e em casamento e etc.. Mas até que as coisas estavam tendendo a ficar bem.
Até que sou pegue de surpresa por um texto do ex que me machucou forte. Machucou fundo. E eu não sabia que machucaria tanto algo que eu até queria que acontecesse... Explico: no domingo a noite, olho meu email por outro motivo, enquanto esperava minha vizinha.. E aí vejo um email dele. Abro e quando começo a ler, começo a chorar. As lagrimas fugiam ao meu controle e caiam desesperadamente. Doía. Minha cabeça começou a latejar. E aí re-experimentei as sensações de quando descobri o início de tudo: enxaqueca forte, ânsia de vomito. O que tinha no email: ele saiu relembrando todos os encontros e viagens que tivemos. Detalhes que eu, que sempre tive melhor memória pra fatos e informações do que ele, já não lembrava e não poderia imaginar que ele lembrava. Mas lembrava. E estavam ali no email me torturando...E torturaram mais no fim quando ele reconheceu que machucou a pessoa que menos merecia da forma que menos merecia. E que me amava, só tinha demorado demais pra perceber isso. Na tortura final, disse que não encontraria outro alguém que o valorizasse tanto e que nunca me esqueceria.



Tortura, por que? Porque por muito tempo foi o que desejei ouvir. Foi o que desejei ler. E com o tempo fui percebendo que não ouviria enquanto eu queria. E que provavelmente só ouviria tempos depois, quando ele tivesse tido a certeza do fim ou tivesse sofrido um baque como o que sofri. E não é que as duas coisas aconteceram? E aí, veio o choro, o arrependimento e o reconhecimento. Mas e por que doeu? Porque acompanhada do reconhecimento veio a minha lembrança de quanto eu desejei ter isso por tanto tempo, inclusive quando estávamos juntos. Eu vivi de migalhas de atenção por algum tempo. Vivi de migalhas de sentimentos. Vivi de migalhas de demonstrações. E agora, sim, agora, que irônico, vem tudo que eu quis, a galope. E junto com ela, vem a certeza que eu já estava tendo e por isso tinha decidido não voltar e não deixar as bobas reaproximações acontecerem. Ele sempre percebia que me amava no fim de tudo. Quando me afastava. Mas quando junto, de novo sofria as mesmas coisas e me fazia sofrer. E dessa vez, não olhou pra mim e pro que eu sentiria caso eu descobrisse. Simplesmente se iludiu que eu não descobriria.  Acho mesmo que não se importou. Estratégia de bloqueio dele. Não sei como, mas hoje vejo o quanto ele me bloqueia. O quanto não consegue me amar e estar junto de mim. Insegurança? Talvez. Não sei ao certo, mas talvez seja melhor não saber. A verdade é que após as torturas todas, veio em mim o sentimento: quantas vezes mais ele vai precisar me perder pra começar a me dar valor enquanto me tem? Não quero contar. Não quero mais viver numa relação insegura assim. E não pela traição, mas pelo sentimento. Como saber se sou importante? Por migalhas? Satisfazer-me com migalhas? Lembro, mesmo antes de saber de tudo, o quanto eu ficava me questionando se ele de fato me amava, e me perguntava se eu não estava sendo dura demais porque ele tinha largado a cidade e tinha ido comigo pra outra...




Relembrar tudo isso relembra a decisão tomada. Relembra e machuca de novo: não importa o quanto ele ainda mexa comigo, e mexe. Não importa o quanto ainda doa e dói. Não importa o quanto ainda vá sofrer por isso. Não importa se ainda o amo (e amo? E o que é o amor? Minha vez de filosofar...). Não quero mais essa relação pra mim. A relação me trazia dúvidas e inseguranças. Era boa, no geral, mas tende a repetir o ciclo da insegurança e da dor. Sendo assim, escolhendo o caminho que escolhi, sei que a dor que sinto agora vai ter um fim ou pelo menos vai amenizar. E caso continue a relação, sei que terei ganhos momentâneos, mas novas dessas dores e torturas no decorrer dela...
Autocontrole. Querido, sabia que você era difícil, mas também não precisa ser nível top hard. Vamos lá! Com fé eu vou que a fé não costuma falhar! ;)
E, uma parte de uma música besta e antiga, mas que vai me representar agora...


“Nunca acreditei na ilusão de ter você pra mim
Me atormenta a previsão do nosso destino
Eu passando o dia a te esperar você sem me notar
Quando tudo tiver fim, você vai estar com uma cara
Uma alguém sem carinho, será sempre um espinho
dentro do meu coração”



E, a sensação que tenho é essa. Ele será sempre um espinho. Uma história dolorosa. Game over de uma relacionamento que lutei tanto e investi tanto. Mas é preciso saber enxergar quando até as histórias que mais bonitas e que mais sonhamos tem um fim e dão lugar a novos recomeços.



Recomeço, querido, você já pode chegar, ta? 13Beijosnoombro!


sábado, 18 de abril de 2015

Sobre a dor de um divórcio



Esses dias venho vivendo e revivendo a crise da separação e do divorcio. Ate parece que tinha me separado de novo e naquele dia. Mas não, era simplesmente a crise de assinar a %¨$# de um papel dizendo à sociedade que não tinha mais jeito. A sensação é a de um fracasso. É uma dor mais anestesiada, mas semelhante a da separação. Mas ao mesmo tempo, diferente. Logo após a separação, senti o fracasso, mas sentia uma dor maior, que era a dor da perda. Agora a dor da perda já se acalmou. Eu já não penso no que eu perdi. Sempre tento pensar no que ganhei após a separação. Tava num processo doloroso casada. E não notava tanto, porque tava do lado de dentro. Hoje, ganhando o mundo, vejo o quanto era desvalorizada por alguém que estava num processo de sofrimento e imaturidade que eu não conseguiria entender. Ele me desvalorizava na intenção de se valorizar, porque não gosta(va?) de si mesmo...
E ta, aí você pode me perguntar: vem cá, se tu ta se sentindo tão bem separada, adorando a sensação de se sentir desejada e paquerada (já deixei claro, ne, nos outros textos?), dançando, brincando, vivendo cada minuto como se fosse o último, como você vem me falar em dor? Difícil, acreditar, ne? Então, eu mesma, se não estivesse sentindo, diria que a pessoa tava querendo fazer drama onde não existe. Mas não, não é isso. O drama, apesar de não ser grande, quando se pensa racionalmente, existe. E vou explicar:
O divórcio se trata de afirmar perante a lei e a todos o seu descasamento. Mas e você já não fez isso? Não exatamente. Quando me separei, passei pelo meu processo intimo e até fiz rituais de separação. Joguei a aliança no lugar mais lindo que já visitei. Chorei escondida a dor em cada lugar que pensava que aquela viagem era pra ter acontecido com ele. Chorei a dor de uma perda de uma pessoa especial. De um sonho. Mas de um sonho meu. Só meu. Hoje, quando lembro, a sensação que tenho é a da música da Marisa Monte:
Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor.
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou a dor é minha,
A dor é de quem tem.”


Pronto. A sensação era essa. A dor que era minha. Não queria dó de ninguém. Não era digna de dó. Sabia bem que o sofrimento ia passar. Até a dor de perder meu pai tinha amenizado com o tempo. Porque a dor de perder um marido não ia passar? Iria. Me enchi de coragem, passei a mão nos olhos e enfrentei a dor. Chorava, mas enfrentava. Vim sozinha pra cidade e pra casa onde tudo tinha acontecido. Mais decidida impossível, coloquei o que restava dele pra fora da casa e fui viver só. Entre farras e descobertas de uma vida solteira. Entre a dor de encontrá-lo ou encontrar a moça com quem ele estava/tinha passado um tempo/ sei lá. E nessas dores, fui esquecendo e vendo o quanto a minha vida ainda era especial e o quanto eu ainda tinha pra viver. E o quanto eu vinha descobrindo com a separação e a vida de solteira. E aí veio, por uma lado uma pressão social e por outro, uma pressão interna: a do divórcio. Passei pelo processo de negação: pera, eu preciso de um papel pra me dizer solteira? Não, claro que não. (só que sim, principalmente porque temos um bem juntos. E o que eu fosse fazer com esse bem precisaria dele. De uma vida que já não me dizia respeito e portanto poderia mudar e se tornar o que quisesse, inclusive, alguém disposto a me tomar bens materiais – vai saber?)
E então, com a história de vender ou não esse bem (o apartamento), resolvi-me a não vender, por diversos motivos e tratar de ressignificar tudo. Afinal de contas, eu fiz até a disciplina de psicologia ambiental, não foi? Não estudei e sei o quanto se pode ressignificar um ambiente e o quanto esse ambiente pode influenciar os sentimentos humanos? Pois bem, iria ressignificar tudo. E passei à história do divórcio, de resolver tudo perante a lei. E bom, se por um lado sabia e sei de todo um processo que se chama divórcio emocional (coisa de psi) e que isso doía, não sabia como era essa dor. Experimentei. A dor é a de ter fracassado. E agora a dor já não é mais só minha. Ela é minha, mas também é social. Há atores sociais envolvidos nisso. Há o ex-conjuge, agora mais ex que nunca. Há o advogado. Há uma procuração. Há um juiz. Há um papel. Há uma satisfação à sociedade. Há o contrário do orgulho de um dia ter entrado na Igreja e ter dito a Deus, à minha família e à sociedade, que a partir dali eu iria construir minha própria família. A partir dali eu seria mulher de um marido e futura mãe dos nossos filhos. Era como se eu tivesse passado mais ainda ao patamar de adulta (a impressão que tenho é que pulei um degrau quando me formei, outro quando comecei a trabalhar e assim sucessivamente). E agora a dor é o contrário desse orgulho: é afirmar pra sociedade que eu fracassei em construir uma família (Ah, mas não foi você, ele lhe traiu, ele não foi maduro, ele, ele, ele, ele...). Ta, se vocês conseguem fugir da própria responsabilidade assim, massa, mas talvez por ser psicóloga, pra mim não é tão fácil assim. Sei que em parte a culpa responsabilidade também é minha. Eu ate tentei, mas não soube lidar com uma traição tão pesada. Eu até tentei, mas não consegui fazer com ele viesse pra mim de novo como antes. Eu até tentei, mas no fim, não consegui nem me salvar nem salvar o que eu tinha prometido a mim mesma e a todos: uma família. A minha família.


Que se lasque a sociedade? Fácil dizer. Difícil é assinar e escrever: sim, sou divorciada. Não consegui viver como queria e como prometi. E estou bem com isso. Vrááááá. (tapas girando na sociedade machista, hipócrita e religiosa). E no fim, o que tenho a dizer? É difícil? É. Existem processos mais difíceis? Existem. Eu, ao menos, não tenho litígio e nem filhos. Mas a dor ta aqui. Doendo. Gritou dentro de mim na porta do advogado. [Piadas a parte: Gritou mais alto quando ele disse o preço e eu pensei (caramba, é pra desistir, é?)] Gritou mais alto quando falei no telefone com o ex. Gritou mais baixo quando falei com o segundo advogado. E foi diminuindo ao pensar no processo e juntar os documentos. E diminuiu mais quando falei pela segunda vez com o ex. E aí eu vi que era só mais uma etapa da minha dor. A dor escancarada a sociedade. E dói de novo, por que? Porque a gente mexe. E abre de novo. Abre de uma forma diferente. Mas abre. E com o tempo, ela volta a acalmar. Vá, dor, vá se acalmando. Um dia, você vira sorriso.
“Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar”.

terça-feira, 17 de março de 2015

De volta, após tanto tempo sem aparecer. Brigas no trabalho, estresses em casa, acontecimentos fúnebres que me marcaram. Tudo aconteceu. E tudo traz de volta algo que já estava enterrado. Mas veio diferente, veio mais maduro e mais elaborado. Veio junto com uma certeza, apesar de vir junto com a dor. Atualizando: Um tio muito querido do meu ex-marido faleceu de surpresa. Fiquei muito abalada na hora. Eu que dei a notícia porque a mãe não conseguia falar com ele. Eu disse que ia a Fortaleza e que gostaria de ir pro enterro. Ele pediu q eu fosse de carro com ele. Fiquei em dúvida, mas resolvi-me a fazer isso, em apoio e em lembrança do tio em questão que me era muito caro. Fui. Como dizem minhas amigas com filhos após a separação, "me vesti de monge e fui". Dentro do carro a ideia era que as conversas fossem livres de tensão, mas só a ideia de ter que programar algo para que não ficasse tenso me deixava tensa. E assim foi. Chegamos. Não a tempo do enterro, mas sempre da visita pós-enterro, que acho que é pior... Dei algum apoio a mãe dele, e ele foi me deixar em casa. No caminho de casa a pergunta: "vamos comer algo?" Na hora só me vinha a cabeça: pera aí, essa parte a monge aqui não aguenta não. A vontade era de ser irônica e perguntar pra ele se a moça não ia ficar com ciúmes. Me aguentei em nome do tio e do enterro, dei a desculpa do cansaço e fiquei quieta. Novo pedido, dessa vez acompanhado de uma dose extra de cara de pau: "e se fossemos tomar uma cerveja"? Pera, gente, pera aí. Eu já to magoada com essa criatura com tudo que houve e ele ainda tem a cara de pau de me chamar pra tomar uma cerveja? É a casa da mãe Joana?.


De novo, a monge respirou em nome da amizade e respondeu: "não, não, realmente estou cansada", pensando que se ele perguntasse de novo eu explodia. Mas não, a minha paciência estava de monge no dia: "vamos a um rodizio"? Respirei fundo e disse: "Caio, não dá, de verdade. Agradeço o convite, mas estou cansada e quero estudar alguma coisa". (tática: fala pausadamente e faz uma frase longa, porque dá tempo chegar em casa e você não mata o coleguinha)... E após tudo isso, era impossível não ficar mexida de novo, não chorar de novo, não lembrar de tudo e ficar novamente bastante magoada. E depois dos trabalhos que tinha a fazer feitos, recebo novo convite pra "tomar uma cerveja". Nego, mas dessa vez eu não consigo ser tão simpática e começam as frases ásperas. Após a troca de mensagens de teor áspero e um sonho estranho com várias coisas boas que me aconteceram desde a separação, resolvo mandar uma mensagem que há algum tempo vinha pensando em dizer. O teor era de agradecimento. Ele responde, pergunta se não há mesmo possibilidades de retorno e a conversa flui, comigo dizendo que não via mesmo nada de retorno nesse momento, que ele seguisse a vida dele e que eu estava seguindo a minha. No fim, a conversa foi boa. Aos poucos, a mágoa vai diminuindo e vai dando lugar a uma nova visão: a da imaturidade dele. E de por isso não querer mais estar nessa relação. E que a vida siga, continue seguindo! Acabei voltando na estrada de novo, a conversa foi menos tensa e a vida continuou. E de farra em farra, paqueras e paqueras, pequenos ganhos no trabalho e muitas reflexões, a vida vai me sorrindo e eu vou descobrindo dia  a dia as alegrias de estar solteira e de ser assim. Atualmente, pra mim, ser solteira é meu estado de espírito. ;) Solteirar, sempre! =]



terça-feira, 3 de março de 2015


Há um tempo sem escrever, após algumas feridas, de volta:

E esses dias se apresentaram difíceis e confusos. Se por um lado consegui me resguardar juridicamente e com isso ficar mais tranqüila com relação ao apartamento (houve uma conversa de que a moça com quem meu ex está estaria querendo que ele brigasse por metade do apartamento...), saí, me diverti e estaria tudo bem, mas comecei a sair com um rapaz com quem conversava há um bom tempo, e senti que ele mexeu comigo de uma forma forte e de novo, confusa. Mas eu já estava assim com relação a Carlos. Ótimo, de volta a adolescência. É assim que me sinto. Confusa, gostando de um, se sentindo atraída/apaixonada pelo jeito do outro e pra completar, ainda incomodada quando o ex aparece e manda um email perguntando pela gata que crio (pela gata??? Logo pela Gata??? E logo pra mim, psicóloga? Certo, a gata está bem e a outra gata ainda ferida, machucada, se recuperando e tentando não entrar em outra fria com outro rapaz..).



E ontem tive ótimos momentos a noite com mais duas amigas. Saí, assisti ao filme do momento das mulheres no cinema e depois ainda fui a um barzinho. Me diverti bastante, como há muito tempo não fazia. Solteiras. Sozinhas. Felizes consigo mesmas. E aí voltei a pensar sobre as paixonites todas que senti/sinto: ta, vamos com calma, simplesmente. Vamos simplesmente sentir a confusão que tem se estabelecido nos meus sentimentos. Se voltei a adolescência, vamos revisita-la. Que me lembre, estou solteira e tenho todo o direito de sair com quem eu quiser, e sentir o que eu quiser com cada um deles... e com minhas amigas, o que tem sido ótimo. É cada vez mais gratificante estar sozinha, sem me sentir sozinha!

Depois atualizo cada um dos paquerinhas e o que representam pra mim de forma a facilitar os sentimentos!

:*

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sobre laços que não precisam ser desfeitos...

E ontem experimentei uma dor misturada com alegria. E chorei e ri. Assim, tudo misturado. E foi bom, apesar de dolorido. E eis o que aconteceu: soube, pelo facebook (oh, as redes sociais e suas aproximações de distância) que minha cunhada, irmã do Caio (sim, porque morrerá sendo cunhada), passou no ENEM pro curso que escolheu e está muito feliz.  E eu feliz por ela. Como se fosse uma irmã. E triste, porque sei que não estarei tão junto como gostaria de estar. Já haviam me dito que os laços jurídicos por afinidade permanecem após o divórcio e pesquisando, entendi que na verdade, por questões morais, os laços que permanecem são os de sogra, sogro, nora e genro, pra evitar o casamento entre nora e sogro, por exemplo, entretanto, os laços entre cunhado e cunhada se extinguem após o fim do casamento. E, mesmo que assim seja, a Lya, em especial, será minha cunhada pra sempre. Lembrei do inglês: “sister in Law”. E assim será, irmã, na lei, pra sempre, mesmo após o divórcio. Minha aproximação do espiritismo me faz bem, mas não é tão profunda a ponto de me dar certeza da existência de outras vidas e da reencarnação. Mas se de fato isso existe ou existiu, provavelmente a conheço de outras vidas e eu ter me casado com o irmão dela foi um reencontro especial. E, independente da lei, ela vai permanecer sendo minha irmã. Porque eu assim escolhi.



E me orgulho tanto de como ela cresceu. E de ter podido estar próximo a ela nesse período. E me orgulho da adulta que ela está se tornando. E quero continuar acompanhando. Espero sinceramente que isso não me seja retirado por qualquer motivo.
Lembro que no natal meu maior sofrimento foi estar longe da família dele. Foi muito estranho passar o natal longe. Afinal, há dez anos meu natal era com eles. Lembrei de cada um em especial e doeu. Doeu mais ainda quando vi que eles também lembravam de mim e me mandaram mensagens de boas festas. E agora, com essas turbilhões de emoções sentidas, passado esse tempo, hoje compreendo que certos laços podem simplesmente não se desfazer. Claro que não serão como antes, mas eles podem ficar ali guardados na estante, como parentes queridos e distantes, mas que sempre vão estar ali, sendo especiais.




E que permaneçam. =]