Tudo estava caminhando. A vida seguiu com novos crushs. Tem até um que hoje me chamou de “açúcar mascavo – docinho, mas que não se derrete fácil” – crushs, né? Fazer o que? Obvio que não sou doce. (vocês dão licença eu querer continuar a me enganar? Brigada!) – Nada, sou um doce sim. (e sou geminiana também, então mudo de ideia sim.) Doce, doce. Um pote de nutela. A fantasia do carnaval fez todo sentido, mores. Sou um potinho de nutella e o pior: geralmente o sou com quem não merece um pingo desse sabor todo, sejam homens ou mulheres.
Mas vamos ao assunto do texto: O meu ex (e o ex novo – o namorado pós separação) mandou mensagens dizendo que queria conversar comigo e me chamando pra almoçar. Ele adiantou que o “você não precisa lidar com isso” estava martelando na cabeça dele. Se eu souber o contexto dessa frase que eu morra. Não morri. Deus é quem sabe que frase é essa, que contexto foi esse. Tentei lembrar. Ainda pensei de uma vez que eu estava chorando com uma frase que o ex disse e que ainda ressoava na minha cabeça. Mas se era? Não sei. Aí eu disse que não lembrava do contexto dessa frase e ele se utilizou disso pra aguçar a curiosidade e disse que seria uma ótima oportunidade pra gente conversar. Quis ir. Deus sabe como eu quis. Quis dizer que me encontraria em 15 minutos com ele. Quis saber o que ele tinha a dizer, quis ouvir da boca dele que ele estava arrependido e que queria voltar. Quis que ele voltasse, que botasse no face, que dissesse aquilo tudo que eu tanto quis ouvir. Mas antes de dizer, eu disse que tava ocupada, que daqui a pouco respondia. Aí pensei e repensei. Lembrei de tudo. Lembrei que eu era “cheia de defeitos” e que isso “tinha minado nosso relacionamento” – assim de graça. Lembrei que ele não conseguia (também, pra variar) dizer que gostava de mim. Lembrei que ele me deixava insegura. Lembrei de tudo isso e mais um pouco e me perguntei se eu queria aquela rotina de novo, pra mim. Se eu queria ver as mensagens de novo e me alegrar por qualquer coisa. Ver se eu queria ter que olhar o face dele e ver se ele aceitou marcação nas fotos. Torcer pra que ele postasse algo sobre nós. E não, não queria essa rotina. Não quero insegurança.
E eu quero algo dele? Quero. O que eu quero dele? Eu sei responder. Quero o sexo dele. Quero o carinho dele. E como eu quis quando eu estava fazendo um projeto que tinha relação com a área dele. Quis, o dedo tremeu pra mandar mensagens, mas não mandei nada, justamente porque sabia que eu não queria nada mais além daquilo. Aí hoje, hoooje, que eu to bem feliz com um resultado (o dito projeto, sabe? Deu certo!) e também meio aperreada pra resolver algumas coisas relacionadas a isso, o bendito reaparece e me diz que quer conversar. Avaliei e reavaliei. Não cedi. Mandei mensagem dizendo que não queria conversar. Mas parte de mim está remoendo toda a conversa e todo o relacionamento agora enquanto escrevo o texto. E foi por isso que vim escreve-lo.
Já passaram mil coisas pela minha cabeça. Uma delas foi sobre algo que vi na internet: “a eterna generosidade feminina com os homens”. E outra foi que muita gente erra e é atacado mesmo reconhecendo o erro. Voltando ao início do texto: a minha eterna generosidade com os homens – e que não deveriam valer essa generosidade – me fez querer pensar se eu não estava perdendo a oportunidade dele se redimir comigo. Mas pera. Quem tem que dar oportunidade pra alguém se redimir? Deus, ne? Eu não. Quem perdoa é Deus. Ele não vai mudar. Eles não mudam. Eles nunca mudam. E eu vou repetir esse mantra até voltar a esquecer. Vamos lá conversar com meus monstros.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
E não é que aos poucos a gente volta a sorrir de novo?
A frequência do choro diminui, a gente foca em outras atividades e dá certo. E não é mesmo o que deve ser feito? A resistência a extinção inclui a variabilidade do comportamento para conseguir outros meios de reforçamento. E foi assim por um tempo. Aos poucos sorrindo. Ainda com a blusa dele do lado como “auxiliar”, talvez pra ter alguma sensação de segurança, apego e conforto, (já nos disse Bowlby, né?) mas ensaiei paqueras e novos contatos de aplicativos. Mas, pelo que percebi não deu muito certo e alguns contatos só me fazem lembrar do que se foi e do que na verdade, precisa ir embora de vez ainda.
Planos de ir morar/estudar um tempo fora a todo vapor. Penso na Austrália. Passar um mês, se virando no inglês e vendo possibilidades de voltar pra fazer outros cursos. Pensando sobre a minha rotina de exercícios e a dieta. Posso simplesmente fazer uma omelete e jantar a noite algo com poucas calorias, enquanto vejo séries. Um tempo pra mim. Quem sabe passar a tardinha na praia pra dar um mergulho e esticar a noite. Comer em algum lugar por lá sozinha. Quem sabe um bar com música boa sozinha também.
E aos poucos eu percebo o quanto eu ainda estava/estou em uma idealização dele. Parece mesmo que eu, Elayne, feminista, que vivia se divertindo com os boys e fugindo de compromisso porque achava que eles me aprisionavam e não achava que esses boys poderiam realmente ser uma boa companhia pra mim e construir momentos legais (e não necessariamente por mim, mas também por eles, porque de fato não foram criados e não estão acostumados a uma mulher como eu... ) idealizou um cara “legal”, simplesmente porque ele não foi sacana comigo. Mas calma. Não tão legal assim. E eis que pouco depois do fim do relacionamento, ele vem continuar a conversa como se nada estivesse acontecendo e eu explico que prefiro não ter contato. Ai ele me pede pra falar tudo que penso dele, sem educação. Acho desnecessário, mas fui legal e disse basicamente características positivas. Ai depois percebo que o que ele queria era uma abertura pra jogar mágoas em mim: “você foi legal. Não serei tão legal. Tenho várias críticas ao seu respeito”? É? Disse pra guardar pra si. Criticar o outro sem que a convivência vá continuar é machucar de forma desnecessária. Ele tem várias críticas ao meu respeito? Criticasse enquanto queria algo, agora não mais. Mas ele foi piorando a situação: “me bloqueia, não quero ficar sem saber se estou perturbando ou não”. Quem não quer perturbar, não perturba, disse eu. Mas satisfiz a vontade dele e desfiz amizade/bloqueei.
E aí acabei por pegar essa raiva e aproveitar pra tirar a camisa dele do meu quarto. Foi bom pra isso. Com a ajuda de amigas observadoras como sempre (<3) me pego refletindo que meu comportamento com relação às paqueras estava muito ligado a coisas ou impossíveis ou que eu ainda fosse de alguma forma comparar. Não há o que comparar. Não há mais que se ter lembranças. E as lembranças só serão apagadas com o tempo. É tempo, na verdade, de ressignificar, inclusive a sexualidade e a forma de vive-la. Se ao me separar com caio eu sai com vários caras e isso me fez bem é porque naquele contexto minha sexualidade precisava se libertar. E foi liberta. Mas hoje eu terminei um relacionamento diferente, em que o sexo era maravilhoso e nunca parou de acontecer. Resultado? Tenho lembranças maravilhosas dele na cama e que ainda me fazem suspirar. Faz o que? Se entregar, conversar com outros agora só me fazem lembrar dele. Então, vamos passar um tempo só comigo, sem relações de paquera/sexo tão fortes. A minha cia também pode ser maravilhosa.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
E.... 2 anos depois, outra separação. Com outro, o que pelo menos significa que a vida andou, não é?
A impressão que eu tenho é que ele seguiu a risca o que eu pedi. “Não me engane”. E ele não enganou. Ficou na dúvida, quis ter vida de solteiro e falou isso. Tá em dúvida. Meu deus, como a dúvida dói. E dói mais ainda quando ele diz: “não é que eu não goste de você, não ame você, mas to querendo outra coisa, to querendo viver, to querendo ficar solteiro. Essas palavras arderam. Em outras épocas eu teria brigado. Teria chamado de idiota. Teria rastejado e mostrado que eu seria uma excelente escolha. Mas e não sou mesmo? Sou uma mulher massa, forte, determinada, independente e que por isso mesmo, aprendeu a tentar deixar o outro ser independente também. To aprendendo, na verdade. E sim, a vontade é essa. Mas na mesma hora da vontade vem a sua experiência de olhar e dizer: é a vontade dele. E não adianta, não há palavras que possam convencer alguém a mudar de decisão. Talvez haja palavras pra convencer alguém a permanecer por pena, mas não é isso que quero/mereço. Queria alguém comigo. Pra dizer e afirmar que estava comigo.
Eu o deixei ir. É bem verdade. Eu literalmente o deixei ir na sexta. E confiei. Me mordi de ciúmes. E não é que meus ciúmes tinham razão de estar ali? Era medo de perder. E perdi. Mas perder o que? Se o outro não é meu, nem nunca será? Nós alimentamos a ilusão de que nossos companheiros são nossos. Mas não são. São deles mesmos. E a eles cabem as decisões da vida. A ele coube a de querer ficar solteiro. E a mim, coube a difícil tarefa de aceitar, por saber que não adianta chorar se o outro tem a decisão dele.
Ontem e hoje eu estou fazendo por mim o que Caio não soube. Aceitar. E ontem e hoje eu estou fazendo o que não fiz de imediato na relação com Caio: aceitar. Ele não havia tomado uma decisão e eu reclamei disso. Mas a verdade é que se ele tivesse tomado, eu teria criticado. E … fim. São relações diferentes. Não há mais o que comparar.
Fato é que pela minha experiência de vida eu vi que o melhor a fazer era respeitar. E respeitei. Estou respeitando. Se choro? Se sofro? O que é abraçar uma camisa esquecida e colocá-la na cama, do lado onde ela dormia? É sofrimento pesado. Mas, como disse ontem meu personal quando reclamei do peso: “Tá pesado”. “Eu sei. É pra ser pesado”. Então é isso: é pra ser pesado mesmo. Como não ser pesado você ter dividido uma casa, um amor, viagens, cama, sexo, banheiro e escovas de dente e o outro quer ir embora? É pesado. Mas, vá. Aprendi muito com ele. Me doei de novo. Amei de novo. E quer saber? Foi bom pra caralho. Foi maravilhoso desde a primeira noite. Foi maravilhoso ser acordada às 3 da manha pra trepar. Foi maravilhoso vir de manhã morrendo de sono. Foi maravilhoso trocar mensagens de carinho na expectativa de ele voltar. Foi maravilhoso ele ir pra minha casa antes de ir pra mãe dele logo que chegou. Foi maravilhoso receber uma foto dele de cuecas na minha casa. Foi maravilhoso viver pequenas aventuras. Apresentar pros pais e pros amigos... brigar com ele porque ele tava cagando de porta aberta. Foi maravilhoso peidar na frente dele e rir junto dos peidos dele. Foi maravilhoso tudo isso. Foi intenso? Foi. Foi perigoso? Foi. Dormir junto com o boy desde a primeira noite que se viu não é algo que uma mulher solteira em uma cidade brasileira deve fazer. Mas... fiz. E pior: gostei de ter feito. Se vou ser mais segura de uma próxima vez? Não sei. No fim, não há seguranças e não há garantias.
E o que fica pra mim? A camisa, a saudade, as lágrimas e a alegria de ter vivido um amor curto, rápido e intenso. A certeza? De que um dia a dor acalma. E a impressão de que a “ressaca” e as juras do “não vou fazer de novo” dessa vez serão bem menores. Talvez porque eu tenha sido feliz. Foi uma noite alegre de bebedeira. Uma festa em que todos se divertiram e ninguém fez merda pra que eu não queira mas ir a outra festa.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
“ Um menino me ensinou quase tudo que eu sei. Era quase
escravidão e eu nem era tratada como rainha. Eu fazia muitos planos e eu e ele
so queríamos estar ali (...) eu não tinha aonde ir. Talvez egoísta como ele é,
tenha esquecido de ajudar a mim como eu o ajudei. Ele também estava perdido e
por isso se agarrou/se agarra a mim e a esperança de me ter de volta também. E
dizia ainda é cedo...”
Hoje uma entidade me assustou e
me fez pensar em tudo de novo, mas em tudo de uma forma boa, ou ao menos,
saudável. No centro espírita, na consulta mediúnica, uma entidade falou em tom
de ameaça: “você não vai ficar nem com um, nem com dois nem com ninguém, duvido
você parar com alguém”. E falou que meu ex não me perdoava porque eu o tinha
deixado. E que havia uma moça com ele, que também não me perdoava por isso. Me
assustei e chorei. Disse que estava me apegando a alguém, mas que não sabia
como proceder, que tinha medo. Ela falou que eu tinha que perdoar e rezar pelo
ex e pela menina e que só então eu conseguiria seguir adiante de forma
definitiva. Ela disse que o tempo ia me mostrar que a pessoa com quem eu estava
era uma pessoa boa, que tinha valores. Voltei pra casa em mil pensamentos e ao
começar a contar pra uma amiga me dei conta do verdadeiro mal que tinha feito a
Larissa. Não foi só ir falar com ela no INSS e xingá-la, mas pressionar por uma
demissão. E no fim, saber que só após a demissão caio havia se separado dela,
porque ela ficou com raiva. O maior escroto dessa história toda foi ele, com
certeza, que continuou com seu emprego, sendo chefe, a menina foi demitida e eu
sai arrasada e machucada de tudo. Ele errou? Sim, errou. Quebrou uma confiança
e me mostrou que eu não devia permanecer naquela relação e aceitar tudo aquilo,
que uma família naquelas bases não daria certo. Não deu. Hoje tenho certeza
disso. E acho até que era preciso que tudo isso acontecesse para que nós dois amadurecêssemos,
quem sabe. Bom, mas até agora, estou aqui vomitando mágoas de novo.
Caio errou?
Errou. Errou feio, machucando alguém que não merecia. Mas no final das contas,
quem não erra? Erramos e enganamos a todo momento pessoas que não merecem
porque estamos preocupados com a nossa felicidade e com o nosso bem estar,
somente com ele. Somos egoístas. Ele foi só escroto? Não, foi um bom
companheiro durante anos. Foi quem me apresentou ao sexo. Foi quem me
possibilitou algumas noites de farra. Foi quem construiu alguma confiança com
minha mãe. Foi quem me apresentou jeri. Foi quem me apresentou Canoa quebrada,
Foi com quem descobri pirenopolis, foi com quem descobri o amor, e tantos
outros sentimentos e lugares.
Caio, é uma pena que nosso egoísmo (nosso, eu
também errei nessa relação, apesar de ter feito tudo o que estava ao meu
alcance para consertá-la) tenha culminado no fim de uma relação que eu tinha
como leve e bonita. É verdade que você me maltratou e me fez me detestar por
algum tempo. É verdade que você me torturava e me deixava insegura. Mas
acredito sinceramente que você o fez de modo inconsciente, provavelmente por
não conseguir lidar com a mulher que estava me tornando. Você não soube pedir
ajuda. E eu não soube parar na hora certa. E a relação foi se extinguindo, a
admiração também. Até que culminou em tudo que aconteceu. E hoje te peço perdão
pelo mal que te desejei tanto tempo. Não, Caio, você não merece sofrer. Você,
por tudo que você me fez antes de me maltratar, você merece ser feliz. Você
merece se encontrar. Você não consegue se perdoar pelo que fez, mas se perdoe.
Eramos imaturos. Aconteceu. Você perdeu uma mulher maravilhosa, é verdade, mas
será que não é perdendo algumas coisas que se tenta lutar por outras? Sim,
sinceramente, lhe desejo o perdão. Que nós nos perdoemos. E que tudo fique em
paz. Você merece ser feliz. E eu torço por isso. Secretamente, por ora. Não
quero ouvir conselhos bobos ou afirmações de que sou besta ou boba. Talvez eu
seja. Mas quer saber? Gosto de ser assim.

Larissa, hoje, talvez só hoje
tenha me dado conta do que fiz a você. Me perdoe. Hoje sei que não há nada que
eu possa fazer pra reparar meu erro. Hoje percebo: sou discurso. Tenho discurso,
mas na primeira oportunidade e no primeiro teste de fogo da vida, falhei e
muito com você, moça de 16 anos que cresceu e foi ensinada a seduzir um homem.
Moça, me perdoe. Vinha de outra realidade, a realidade da mulher branca, cis e
HT, riquinha e privilegiada, que foi afogar as magoas no Chile e nos EUA. E la
dessa realidade, cruelmente, me senti no direito de lhe humilhar lhe chamando
de rapariga, simplesmente porque você e meu marido na época estavam apaixonados
e você decidiu fazer o que as novelas ensinam: arriscar tudo por amor. Mas, a
moça cis, branca e HT, que se diz feminista, ainda foi capaz de algo mais
cruel: pedir sua demissão. Eh verdade que hesitei, mas é verdade também que
fiquei feliz que você tenha saído. Quis que você “pagasse”, quis que você “aprendesse”
e esqueci por completo da sociedade em que estamos. Você foi mal falada no seu
trabalho. Você saiu do trabalho com cochichos. Você saiu difamada. Eu mesma
ouvi de uma guarda: “ela é conhecida”. Poxa, moça, isso deve ter doído. Por
mais que você tenha errado, não era assim que as coisas deviam acontecer. O
mais errado foi ele. Ele deveria pagar pelo que fez. E como foi que pagou? Continuou
sendo chefe. Por mais que tenha recebido críticas, provavelmente nenhuma delas
foi tão pesada como a sua, mas, veja que ironia: ele tinha um compromisso e um
dever ético. Você tinha 16 anos. E eu contribui com isso. Hoje, talvez so hoje
eu tenha percebido. Moça, do fundo do meu coração, me perdoe. E não por ter lhe
chamado de rapariga. Isso foi o mínimo. Mas por ter tirado de uma moça pobre o
direito de concluir um estágio que lhe era um sustento de vida enquanto você concluía
o ensino médio, enquanto muitas nem concluem. Espero que o Caio consiga refazer
parte do que eu fiz. E não, você não precisa me pedir perdão pelo que fez.
Passou, de verdade. Siga. Siga em paz, seja feliz e que Deus lhe abençoe. E me
perdoe por depois ainda ter ficado de alguma forma em seu caminho. Se não for o
caio, que você encontre outro homem, ou um emprego e faça uma boa viagem com
amigas. Siga, siga em frente, perdoemo-nos.

Sobre confiar de novo. É, é
difícil confiar depois dessas histórias todas na vida de alguém. O alerta ta
ligado, mas ao mesmo tempo que ta ligado, também ta ligado o jogar expectativas
de felicidade e relacionamento em outra pessoa. Esses dias, ao mesmo tempo que
me aproximo de Bruno, percebo o quanto estou insegura com tudo isso. E o quanto
venho jogando coisas pra ele lidar. Ele não precisa lidar com nada disso. Eu
preciso. E, se foi Deus quem me colocou na vida dele, foi Deus quem o colocou e
quem está me vendo perceber mais uma vez, mais do que nunca. O problema do meu
relacionamento não foi só caio. EU joguei expectativas em Caio e ele não soube
lidar com isso. E não posso fazer isso com você simplesmente por estar carente
e só em uma cidade. Há tanta coisa a se fazer só. Estar com você é só mais uma
delas. Você tem uma vida, arianinho. Siga. Podemos seguir juntos por um tempo,
quem sabe, mas claramente seus caminhos são outros. Serão ser juiz federal em
algum outro estado longe de mim. E eu, eu espero ser a psicóloga do tribunal
com quem você dividiu bons momentos.

segunda-feira, 27 de julho de 2015
De volta! Passei um tempo sem escrever, em parte porque estava sem computador, e acabei ficando com preguiça de passar os textos do celular pro blog! Mas, agora com um computador, quero voltar a escrever! Bom, o texto de hoje é sobre os ultimos dias.. as ultimas confusões! La vai:
Dias felizes, dias tristes... Vamos pra alguns
significativos.
Com o fim do são joão, de tantas farras, ficou Carlos de
romancinho. Mas esse romance já tinha começado a me incomodar. Por horas queria
ve-lo. Por outras, queria minha solteirice de volta. Não conseguia me apegar
completamente. Era estranho. E lembrei que com meu primeiro namorado foi
exatamente assim. Eu não conseguia ficar com ele o tempo todo e todo mundo
achava estranho. Era um exercício de apego. E com o tempo, com muito tempo
depois, consegui. Será que vou passar por esse exercício de novo? Bom, na
época, dei tempo ao tempo, mesmo sem querer. Que seja então. Até que chega o
dia 08. Passei o dia tentando sorrir, mas ainda lembrando. Há 04 anos eu
entrava na igreja, sorrindo, feliz, com musicas escolhidas por mim. Há 04 anos
eu entrava com sapatos vermelhos pra dizer a Deus, a minha família e a
sociedade que eu amava o Caio e que iria amá-lo por toda a vida e a partir
disso, construiria uma família. É, a família não deu certo. Por n motivos, mas
não deu. Acabou. Ficou a dor, agora mais calma, mas que ainda existe. E nesse
dia doeu um pouco. E foi assim:
No dia 07 a noite eu lembrei que dia era aquele. Cheguei em
casa, passei horas conversando com Samara e finalmente subi. Acho que estava
evitando chegar em casa, mas cheguei. Olhei pra cama, ensaiei um choro e parei.
Coloquei uma musica animada, dancei e lembrei de tanto eu tinha vivido até ali
e o quanto ainda precisava viver. A história precisa (va) ficar da “porta pra
fora”. Olhei minhas roupas bagunçadas ainda da ultima noite de festa e pensei:
O guarda roupa é só meu. O ap é só meu. Mãos a obra! E passei a arrumar a parte
od guarda roupa que ainda estava vazia, a espera de mim. Carlos chateado,
achando que ia me ver e ficar de casalzinho, com saudades porque tinha ido a
Recife. Expliquei que não tava no clima.
E que no outro dia provavelmente não estaria. Era um momento meu e eu
precisava vive-lo. Rezei e cansada dormi. Acordei, fui trabalhar, malhar e pro
salão. Passei um dia entre away e triste, tentando lutar contra as lembranças.
Quando saí do salão, lembrei com mais força e chorei. Chorei e gritei no carro
sozinha dirigindo. Um garoto que limpava vidros de carro me olhou no sinal e eu
tive vergonha de chorar, sendo que provavelmente não tinha sentido metade da
dor que ele tinha sentido. Mas continuei chorando, cheguei, troquei de roupa e
fui pro Centro Espirita com Samara. No carro ainda ensaiei um choro. E Samara
me acalmou dizendo tudo que eu já tinha feito e tudo o que ela tambem tinha
passado. Perguntou se eu não queria voltar pra Caio. Respondi que não. As
lágrimas já não eram por ele e nem talvez pelo casamento em si. Era por mim,
que tanto tinha feito e tinha ficado ali, sozinha, tentando ressignificar minha
vida. Fomos pro centro. Na palestra, o palestrante explicou que tudo que
passávamos era, de carta forma, uma escolha nossa antes de vir a esse mundo.
Brinquei, pensando que eu devia estar fora de si quando escolhi... Na hora da oração,
senti coisas parecidas com o que há algum tempo sentia.. “levanta-te”. Fui ao
atendimento fraterno. A moça sorriu e disse> “levanta-te e anda”. Falou um
pouco sobre a dor que ainda estava ali e me recomendou participar mais do
centro. Me senti melhor. Na saída vi Carlos. Falei rapidamente com ele e fui
pra casa. Já em casa, expliquei tudo o que tava sentindo e que era melhor me
manter afastada. Ele ficou chateado. Mas fiquei melhor com a situação. Só que
continuou insistindo e eu fui fraquejando. As vezes sentia falta e mandava
mensagens. Ele me deixou na rodoviária e fui dar aula em Serra talhada. Saí com
ele e Samara após a reunião do Centro da ultima quarta. Mas em Serra, fiquei
com outro rapaz. Na segunda, com outro em campina, simplesmente porque não quis
resistir ao tesão do momento. E nessa semana, fez um ano que a minha vida virou
de cabeça pra baixo. Dia 20 de Julho. O dia que achei a carta. A semana com uma
cabeça revirada, confusa. A semana que vim ao fortal chorando, e apesar de ter
amado tudo, voltei pra Campina desejando nunca mais vir a um Fortal e viver a
loucura que vivi. E, após um ano, aqui estou, com abada comprado, desejando
mais loucuras em minha vida... Ah, a experiência. Ah, o se deixar levar. Ah, o
se permitir. “mude e esteja pronto a mudar novamente”. Mudei. A vida me fez
mudar e eu acompanhei. Nesse sentido, é bom olhar pra trás e ver a vida que eu
soube re construir nesse ano.
A Sheila me relembra disso o tempo todo. Se por um lado,
Carlos me questionou para quando eu ia “continuar na tristeza” ou “continuar no
luto”, minha amiga, que me conhece bem melhor, olha pra mim e diz: amiga, você
foi incrível. Você não parou na vida. De fato. Lembro bem do dia que escrevi um
outro texto e enviei pro Caio...
Trecho: “Estou
na casa se uma amiga em Fortaleza. Ela é independente, solteira, bonita. Já
sofreu muito por e com ex-amores e hoje, como ela mesma diz, varia o cardápio
enquanto não encontra um que valha a pena. É exigente e suas qualidades lhe
permitem isso. Esse ambiente tem me feito pensar na possibilidade de que estou
tendo uma ocasião que me permita fazer o mesmo. Ser assim: bonita, jovem,
independente e solteira novamente. E bem provavelmente, exigente.”
Lembro
que pedi pro Caio comentar e ele simplesmente disse que “eu não tinha o perfil
da Sheila”, com um certo ar de crítica. Só que, mal sabe ele que somos
construídos pelas contingências. Eu nunca tive esse perfil porque sempre
namorei. Nunca havia estado solteira e independente. E aí me permiti descobrir
como seria. E sinceramente, apesar de ter doído, gostei de mim solteira. Gosto
do que aprendi a ser e de como penso. Se sou galinha? Não, apenas gosto de
viver sensações diferentes. E o faço sem machucar ninguém, sem enganar ninguém.
Um dia, talvez, ache alguém pra viver juntos. Mas se não achar, já sinto que
vou conseguir continuar construindo minha vida por aqui...
“É
bom olhar pra trás
E
admirar a vida que soubemos fazer
É
bom olhar pra frente
É
bom, nunca é igual
Olhar,
beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo
É
bom e é tão diferente”
“Eu
não vou chorar
Você
não vai chorar
Ninguém
precisa chorar
Mas
eu só posso te dizer
Por
enquanto
Que
nessa linda história os diabos são anjos”
Sim... nessa história, os diabos são anjos. Caio e Larissa
não me fizeram mal. Me fizeram bem. Já pensou se eu continuasse a mesma? Que
chato, seria! Definitivamente, só tenho a agradecer pela oportunidade que me
foi dada! Nesse exato momento, tenho orgulho de mim! A vida me deu um limão. Aí
eu juntei cachaça e açúcar e fiz uma caipirinha. =]
terça-feira, 21 de abril de 2015
Revisitando a dor do divórcio
A dor que descrevi no último texto foi a dor antes da
assinatura. E já tava no seu processo de dor que ia passando aos poucos.
Voltava algumas vezes, principalmente quando falava com minha mãe, que teimava
em falar nisso e em casamento e etc.. Mas até que as coisas estavam tendendo a
ficar bem.
Até que sou pegue de surpresa por um texto do ex que me
machucou forte. Machucou fundo. E eu não sabia que machucaria tanto algo que eu
até queria que acontecesse... Explico: no domingo a noite, olho meu email por
outro motivo, enquanto esperava minha vizinha.. E aí vejo um email dele. Abro e
quando começo a ler, começo a chorar. As lagrimas fugiam ao meu controle e
caiam desesperadamente. Doía. Minha cabeça começou a latejar. E aí
re-experimentei as sensações de quando descobri o início de tudo: enxaqueca
forte, ânsia de vomito. O que tinha no email: ele saiu relembrando todos os
encontros e viagens que tivemos. Detalhes que eu, que sempre tive melhor
memória pra fatos e informações do que ele, já não lembrava e não poderia
imaginar que ele lembrava. Mas lembrava. E estavam ali no email me
torturando...E torturaram mais no fim quando ele reconheceu que machucou a
pessoa que menos merecia da forma que menos merecia. E que me amava, só tinha
demorado demais pra perceber isso. Na tortura final, disse que não encontraria
outro alguém que o valorizasse tanto e que nunca me esqueceria.
Tortura, por que? Porque por muito tempo foi o que desejei
ouvir. Foi o que desejei ler. E com o tempo fui percebendo que não ouviria
enquanto eu queria. E que provavelmente só ouviria tempos depois, quando ele
tivesse tido a certeza do fim ou tivesse sofrido um baque como o que sofri. E
não é que as duas coisas aconteceram? E aí, veio o choro, o arrependimento e o
reconhecimento. Mas e por que doeu? Porque acompanhada do reconhecimento veio a
minha lembrança de quanto eu desejei ter isso por tanto tempo, inclusive quando
estávamos juntos. Eu vivi de migalhas de atenção por algum tempo. Vivi de
migalhas de sentimentos. Vivi de migalhas de demonstrações. E agora, sim,
agora, que irônico, vem tudo que eu quis, a galope. E junto com ela, vem a
certeza que eu já estava tendo e por isso tinha decidido não voltar e não
deixar as bobas reaproximações acontecerem. Ele sempre percebia que me amava no
fim de tudo. Quando me afastava. Mas quando junto, de novo sofria as mesmas
coisas e me fazia sofrer. E dessa vez, não olhou pra mim e pro que eu sentiria
caso eu descobrisse. Simplesmente se iludiu que eu não descobriria. Acho mesmo que não se importou. Estratégia de
bloqueio dele. Não sei como, mas hoje vejo o quanto ele me bloqueia. O quanto
não consegue me amar e estar junto de mim. Insegurança? Talvez. Não sei ao
certo, mas talvez seja melhor não saber. A verdade é que após as torturas
todas, veio em mim o sentimento: quantas vezes mais ele vai precisar me perder
pra começar a me dar valor enquanto me tem? Não quero contar. Não quero mais
viver numa relação insegura assim. E não pela traição, mas pelo sentimento.
Como saber se sou importante? Por migalhas? Satisfazer-me com migalhas? Lembro,
mesmo antes de saber de tudo, o quanto eu ficava me questionando se ele de fato
me amava, e me perguntava se eu não estava sendo dura demais porque ele tinha
largado a cidade e tinha ido comigo pra outra...
Relembrar tudo isso relembra a decisão tomada. Relembra e
machuca de novo: não importa o quanto ele ainda mexa comigo, e mexe. Não
importa o quanto ainda doa e dói. Não importa o quanto ainda vá sofrer por
isso. Não importa se ainda o amo (e amo? E o que é o amor? Minha vez de
filosofar...). Não quero mais essa relação pra mim. A relação me trazia dúvidas
e inseguranças. Era boa, no geral, mas tende a repetir o ciclo da insegurança e
da dor. Sendo assim, escolhendo o caminho que escolhi, sei que a dor que sinto
agora vai ter um fim ou pelo menos vai amenizar. E caso continue a relação, sei
que terei ganhos momentâneos, mas novas dessas dores e torturas no decorrer
dela...
Autocontrole. Querido, sabia que você era difícil, mas
também não precisa ser nível top hard. Vamos lá! Com fé eu vou que a fé não
costuma falhar! ;)
E, uma parte de uma música besta e antiga, mas que vai me
representar agora...
“Nunca acreditei na ilusão
de ter você pra mim
Me atormenta a previsão do nosso destino
Eu passando o dia a te esperar você sem me notar
Quando tudo tiver fim, você vai estar com uma cara
Uma alguém sem carinho, será sempre um espinho
dentro do meu coração”
Me atormenta a previsão do nosso destino
Eu passando o dia a te esperar você sem me notar
Quando tudo tiver fim, você vai estar com uma cara
Uma alguém sem carinho, será sempre um espinho
dentro do meu coração”
E, a sensação que tenho é
essa. Ele será sempre um espinho. Uma história dolorosa. Game over de uma
relacionamento que lutei tanto e investi tanto. Mas é preciso saber enxergar
quando até as histórias que mais bonitas e que mais sonhamos tem um fim e dão
lugar a novos recomeços.
Recomeço, querido, você já
pode chegar, ta? 13Beijosnoombro!
sábado, 18 de abril de 2015
Sobre a dor de um divórcio
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar”.
Esses dias venho vivendo e
revivendo a crise da separação e do divorcio. Ate parece que tinha me separado
de novo e naquele dia. Mas não, era simplesmente a crise de assinar a %¨$# de
um papel dizendo à sociedade que não tinha mais jeito. A sensação é a de um
fracasso. É uma dor mais anestesiada, mas semelhante a da separação. Mas ao
mesmo tempo, diferente. Logo após a separação, senti o fracasso, mas sentia uma
dor maior, que era a dor da perda. Agora a dor da perda já se acalmou. Eu já
não penso no que eu perdi. Sempre tento pensar no que ganhei após a separação.
Tava num processo doloroso casada. E não notava tanto, porque tava do lado de
dentro. Hoje, ganhando o mundo, vejo o quanto era desvalorizada por alguém que
estava num processo de sofrimento e imaturidade que eu não conseguiria
entender. Ele me desvalorizava na intenção de se valorizar, porque não
gosta(va?) de si mesmo...
E ta, aí você pode me perguntar:
vem cá, se tu ta se sentindo tão bem separada, adorando a sensação de se sentir
desejada e paquerada (já deixei claro, ne, nos outros textos?), dançando,
brincando, vivendo cada minuto como se fosse o último, como você vem me falar
em dor? Difícil, acreditar, ne? Então, eu mesma, se não estivesse sentindo,
diria que a pessoa tava querendo fazer drama onde não existe. Mas não, não é
isso. O drama, apesar de não ser grande, quando se pensa racionalmente, existe.
E vou explicar:
O divórcio se trata de afirmar perante a lei e a todos o seu descasamento.
Mas e você já não fez isso? Não exatamente. Quando me separei, passei pelo meu
processo intimo e até fiz rituais de separação. Joguei a aliança no lugar mais
lindo que já visitei. Chorei escondida a dor em cada lugar que pensava que
aquela viagem era pra ter acontecido com ele. Chorei a dor de uma perda de uma
pessoa especial. De um sonho. Mas de um sonho meu. Só meu. Hoje, quando lembro,
a sensação que tenho é a da música da Marisa Monte:
“Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor.
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou a dor é minha,
A dor é de quem tem.”
É minha só, não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor.
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou a dor é minha,
A dor é de quem tem.”
Pronto.
A sensação era essa. A dor que era minha. Não queria dó de ninguém. Não era
digna de dó. Sabia bem que o sofrimento ia passar. Até a dor de perder meu pai
tinha amenizado com o tempo. Porque a dor de perder um marido não ia passar?
Iria. Me enchi de coragem, passei a mão nos olhos e enfrentei a dor. Chorava,
mas enfrentava. Vim sozinha pra cidade e pra casa onde tudo tinha acontecido.
Mais decidida impossível, coloquei o que restava dele pra fora da casa e fui
viver só. Entre farras e descobertas de uma vida solteira. Entre a dor de
encontrá-lo ou encontrar a moça com quem ele estava/tinha passado um tempo/ sei
lá. E nessas dores, fui esquecendo e vendo o quanto a minha vida ainda era
especial e o quanto eu ainda tinha pra viver. E o quanto eu vinha descobrindo
com a separação e a vida de solteira. E aí veio, por uma lado uma pressão
social e por outro, uma pressão interna: a do divórcio. Passei pelo processo de
negação: pera, eu preciso de um papel pra me dizer solteira? Não, claro que
não. (só que sim, principalmente porque temos um bem juntos. E o que eu fosse
fazer com esse bem precisaria dele. De uma vida que já não me dizia respeito e
portanto poderia mudar e se tornar o que quisesse, inclusive, alguém disposto a
me tomar bens materiais – vai saber?)
E
então, com a história de vender ou não esse bem (o apartamento), resolvi-me a
não vender, por diversos motivos e tratar de ressignificar tudo. Afinal de
contas, eu fiz até a disciplina de psicologia ambiental, não foi? Não estudei e
sei o quanto se pode ressignificar um ambiente e o quanto esse ambiente pode
influenciar os sentimentos humanos? Pois bem, iria ressignificar tudo. E passei
à história do divórcio, de resolver tudo perante a lei. E bom, se por um lado
sabia e sei de todo um processo que se chama divórcio emocional (coisa de psi)
e que isso doía, não sabia como era essa dor. Experimentei. A dor é a de ter
fracassado. E agora a dor já não é mais só minha. Ela é minha, mas também é
social. Há atores sociais envolvidos nisso. Há o ex-conjuge, agora mais ex que
nunca. Há o advogado. Há uma procuração. Há um juiz. Há um papel. Há uma
satisfação à sociedade. Há o contrário do orgulho de um dia ter entrado na Igreja
e ter dito a Deus, à minha família e à sociedade, que a partir dali eu iria
construir minha própria família. A partir dali eu seria mulher de um marido e
futura mãe dos nossos filhos. Era como se eu tivesse passado mais ainda ao
patamar de adulta (a impressão que tenho é que pulei um degrau quando me
formei, outro quando comecei a trabalhar e assim sucessivamente). E agora a dor
é o contrário desse orgulho: é afirmar pra sociedade que eu fracassei em
construir uma família (Ah, mas não foi você, ele lhe traiu, ele não foi maduro,
ele, ele, ele, ele...). Ta, se vocês conseguem fugir da própria
responsabilidade assim, massa, mas talvez por ser psicóloga, pra mim não é tão
fácil assim. Sei que em parte a culpa
responsabilidade também é minha. Eu ate tentei, mas não soube lidar com uma
traição tão pesada. Eu até tentei, mas não consegui fazer com ele viesse pra
mim de novo como antes. Eu até tentei, mas no fim, não consegui nem me salvar
nem salvar o que eu tinha prometido a mim mesma e a todos: uma família. A minha
família.
Que
se lasque a sociedade? Fácil dizer. Difícil é assinar e escrever: sim, sou
divorciada. Não consegui viver como queria e como prometi. E estou bem com
isso. Vrááááá. (tapas girando na sociedade machista, hipócrita e religiosa). E
no fim, o que tenho a dizer? É difícil? É. Existem processos mais difíceis?
Existem. Eu, ao menos, não tenho litígio e nem filhos. Mas a dor ta aqui.
Doendo. Gritou dentro de mim na porta do advogado. [Piadas a parte: Gritou mais
alto quando ele disse o preço e eu pensei (caramba, é pra desistir, é?)] Gritou
mais alto quando falei no telefone com o ex. Gritou mais baixo quando falei com
o segundo advogado. E foi diminuindo ao pensar no processo e juntar os
documentos. E diminuiu mais quando falei pela segunda vez com o ex. E aí eu vi
que era só mais uma etapa da minha dor. A dor escancarada a sociedade. E dói de
novo, por que? Porque a gente mexe. E abre de novo. Abre de uma forma
diferente. Mas abre. E com o tempo, ela volta a acalmar. Vá, dor, vá se
acalmando. Um dia, você vira sorriso.
“VagueiaDevaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar”.
terça-feira, 17 de março de 2015
De volta, após tanto tempo sem aparecer. Brigas no trabalho, estresses em casa, acontecimentos fúnebres que me marcaram. Tudo aconteceu. E tudo traz de volta algo que já estava enterrado. Mas veio diferente, veio mais maduro e mais elaborado. Veio junto com uma certeza, apesar de vir junto com a dor. Atualizando: Um tio muito querido do meu ex-marido faleceu de surpresa. Fiquei muito abalada na hora. Eu que dei a notícia porque a mãe não conseguia falar com ele. Eu disse que ia a Fortaleza e que gostaria de ir pro enterro. Ele pediu q eu fosse de carro com ele. Fiquei em dúvida, mas resolvi-me a fazer isso, em apoio e em lembrança do tio em questão que me era muito caro. Fui. Como dizem minhas amigas com filhos após a separação, "me vesti de monge e fui". Dentro do carro a ideia era que as conversas fossem livres de tensão, mas só a ideia de ter que programar algo para que não ficasse tenso me deixava tensa. E assim foi. Chegamos. Não a tempo do enterro, mas sempre da visita pós-enterro, que acho que é pior... Dei algum apoio a mãe dele, e ele foi me deixar em casa. No caminho de casa a pergunta: "vamos comer algo?" Na hora só me vinha a cabeça: pera aí, essa parte a monge aqui não aguenta não. A vontade era de ser irônica e perguntar pra ele se a moça não ia ficar com ciúmes. Me aguentei em nome do tio e do enterro, dei a desculpa do cansaço e fiquei quieta. Novo pedido, dessa vez acompanhado de uma dose extra de cara de pau: "e se fossemos tomar uma cerveja"? Pera, gente, pera aí. Eu já to magoada com essa criatura com tudo que houve e ele ainda tem a cara de pau de me chamar pra tomar uma cerveja? É a casa da mãe Joana?.
De novo, a monge respirou em nome da amizade e respondeu: "não, não, realmente estou cansada", pensando que se ele perguntasse de novo eu explodia. Mas não, a minha paciência estava de monge no dia: "vamos a um rodizio"? Respirei fundo e disse: "Caio, não dá, de verdade. Agradeço o convite, mas estou cansada e quero estudar alguma coisa". (tática: fala pausadamente e faz uma frase longa, porque dá tempo chegar em casa e você não mata o coleguinha)... E após tudo isso, era impossível não ficar mexida de novo, não chorar de novo, não lembrar de tudo e ficar novamente bastante magoada. E depois dos trabalhos que tinha a fazer feitos, recebo novo convite pra "tomar uma cerveja". Nego, mas dessa vez eu não consigo ser tão simpática e começam as frases ásperas. Após a troca de mensagens de teor áspero e um sonho estranho com várias coisas boas que me aconteceram desde a separação, resolvo mandar uma mensagem que há algum tempo vinha pensando em dizer. O teor era de agradecimento. Ele responde, pergunta se não há mesmo possibilidades de retorno e a conversa flui, comigo dizendo que não via mesmo nada de retorno nesse momento, que ele seguisse a vida dele e que eu estava seguindo a minha. No fim, a conversa foi boa. Aos poucos, a mágoa vai diminuindo e vai dando lugar a uma nova visão: a da imaturidade dele. E de por isso não querer mais estar nessa relação. E que a vida siga, continue seguindo! Acabei voltando na estrada de novo, a conversa foi menos tensa e a vida continuou. E de farra em farra, paqueras e paqueras, pequenos ganhos no trabalho e muitas reflexões, a vida vai me sorrindo e eu vou descobrindo dia a dia as alegrias de estar solteira e de ser assim. Atualmente, pra mim, ser solteira é meu estado de espírito. ;) Solteirar, sempre! =]
De novo, a monge respirou em nome da amizade e respondeu: "não, não, realmente estou cansada", pensando que se ele perguntasse de novo eu explodia. Mas não, a minha paciência estava de monge no dia: "vamos a um rodizio"? Respirei fundo e disse: "Caio, não dá, de verdade. Agradeço o convite, mas estou cansada e quero estudar alguma coisa". (tática: fala pausadamente e faz uma frase longa, porque dá tempo chegar em casa e você não mata o coleguinha)... E após tudo isso, era impossível não ficar mexida de novo, não chorar de novo, não lembrar de tudo e ficar novamente bastante magoada. E depois dos trabalhos que tinha a fazer feitos, recebo novo convite pra "tomar uma cerveja". Nego, mas dessa vez eu não consigo ser tão simpática e começam as frases ásperas. Após a troca de mensagens de teor áspero e um sonho estranho com várias coisas boas que me aconteceram desde a separação, resolvo mandar uma mensagem que há algum tempo vinha pensando em dizer. O teor era de agradecimento. Ele responde, pergunta se não há mesmo possibilidades de retorno e a conversa flui, comigo dizendo que não via mesmo nada de retorno nesse momento, que ele seguisse a vida dele e que eu estava seguindo a minha. No fim, a conversa foi boa. Aos poucos, a mágoa vai diminuindo e vai dando lugar a uma nova visão: a da imaturidade dele. E de por isso não querer mais estar nessa relação. E que a vida siga, continue seguindo! Acabei voltando na estrada de novo, a conversa foi menos tensa e a vida continuou. E de farra em farra, paqueras e paqueras, pequenos ganhos no trabalho e muitas reflexões, a vida vai me sorrindo e eu vou descobrindo dia a dia as alegrias de estar solteira e de ser assim. Atualmente, pra mim, ser solteira é meu estado de espírito. ;) Solteirar, sempre! =]
terça-feira, 3 de março de 2015
Há um tempo sem escrever, após algumas feridas, de volta:
E esses dias se apresentaram difíceis e confusos. Se por um
lado consegui me resguardar juridicamente e com isso ficar mais tranqüila com
relação ao apartamento (houve uma conversa de que a moça com quem meu ex está
estaria querendo que ele brigasse por metade do apartamento...), saí, me
diverti e estaria tudo bem, mas comecei a sair com um rapaz com quem conversava
há um bom tempo, e senti que ele mexeu comigo de uma forma forte e de novo,
confusa. Mas eu já estava assim com relação a Carlos. Ótimo, de volta a
adolescência. É assim que me sinto. Confusa, gostando de um, se sentindo atraída/apaixonada
pelo jeito do outro e pra completar, ainda incomodada quando o ex aparece e
manda um email perguntando pela gata que crio (pela gata??? Logo pela Gata??? E
logo pra mim, psicóloga? Certo, a gata está bem e a outra gata ainda ferida,
machucada, se recuperando e tentando não entrar em outra fria com outro
rapaz..).
E ontem tive ótimos momentos a noite com mais duas amigas.
Saí, assisti ao filme do momento das mulheres no cinema e depois ainda fui a um
barzinho. Me diverti bastante, como há muito tempo não fazia. Solteiras. Sozinhas.
Felizes consigo mesmas. E aí voltei a pensar sobre as paixonites todas que
senti/sinto: ta, vamos com calma, simplesmente. Vamos simplesmente sentir a
confusão que tem se estabelecido nos meus sentimentos. Se voltei a adolescência,
vamos revisita-la. Que me lembre, estou solteira e tenho todo o direito de sair
com quem eu quiser, e sentir o que eu quiser com cada um deles... e com minhas
amigas, o que tem sido ótimo. É cada vez mais gratificante estar sozinha, sem
me sentir sozinha!
Depois atualizo cada um dos paquerinhas e o que representam pra mim de forma a facilitar os sentimentos!
:*
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Sobre laços
que não precisam ser desfeitos...
E ontem
experimentei uma dor misturada com alegria. E chorei e ri. Assim, tudo
misturado. E foi bom, apesar de dolorido. E eis o que aconteceu: soube, pelo
facebook (oh, as redes sociais e suas aproximações de distância) que minha
cunhada, irmã do Caio (sim, porque morrerá sendo cunhada), passou no ENEM pro
curso que escolheu e está muito feliz. E
eu feliz por ela. Como se fosse uma irmã. E triste, porque sei que não estarei
tão junto como gostaria de estar. Já haviam me dito que os laços jurídicos por
afinidade permanecem após o divórcio e pesquisando, entendi que na verdade, por
questões morais, os laços que permanecem são os de sogra, sogro, nora e genro,
pra evitar o casamento entre nora e sogro, por exemplo, entretanto, os laços
entre cunhado e cunhada se extinguem após o fim do casamento. E, mesmo que
assim seja, a Lya, em especial, será minha cunhada pra sempre. Lembrei do
inglês: “sister in Law”. E assim será, irmã, na lei, pra sempre, mesmo após o
divórcio. Minha aproximação do espiritismo me faz bem, mas não é tão profunda a
ponto de me dar certeza da existência de outras vidas e da reencarnação. Mas se
de fato isso existe ou existiu, provavelmente a conheço de outras vidas e eu
ter me casado com o irmão dela foi um reencontro especial. E, independente da
lei, ela vai permanecer sendo minha irmã. Porque eu assim escolhi.
E me orgulho
tanto de como ela cresceu. E de ter podido estar próximo a ela nesse período. E
me orgulho da adulta que ela está se tornando. E quero continuar acompanhando.
Espero sinceramente que isso não me seja retirado por qualquer motivo.
Lembro que no
natal meu maior sofrimento foi estar longe da família dele. Foi muito estranho
passar o natal longe. Afinal, há dez anos meu natal era com eles. Lembrei de cada
um em especial e doeu. Doeu mais ainda quando vi que eles também lembravam de
mim e me mandaram mensagens de boas festas. E agora, com essas turbilhões de
emoções sentidas, passado esse tempo, hoje compreendo que certos laços podem
simplesmente não se desfazer. Claro que não serão como antes, mas eles podem
ficar ali guardados na estante, como parentes queridos e distantes, mas que
sempre vão estar ali, sendo especiais.
E que
permaneçam. =]
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Sobre descobrir que você não é mais a mesma ou talvez você
nem sabia como você era.
Tenho tentado analisar minhas atitudes com homens. E eis o
que tenho observado:
Carlos: me deixa confusa, sem saber o que quero. Me deixa
com vontade de querê-lo, mas me faz sentir vontade de se afastar quando é
carinhoso ou gentil demais. Francis já me perguntou se ele era gay. As vezes
parece mesmo, por mais machismo que isso possa conter. Uma vez ele mesmo me
disse que algumas pessoas o achavam gay também, pelas características dele.
Falei hoje com uma amiga sobre isso e o marido dela é semelhante. E já
perguntaram isso dele... Só sei que se ele for gay, ele ainda assim sabe dar
prazer a uma mulher. Rsrs. Na verdade, sinto às vezes que não estou acostumada
a ser bem tratada. Fui mal tratada por muito tempo. Caio não me chamava de
bonita, inteligente ou não me dizia nada sobre eu ser importante pra ele por
muito tempo. Quando isso vinha, acontecia de tempos em tempos. Acho que preciso
lidar com o fato de que posso ser bem tratada o tempo todo e isso não
significar algo ruim. Quem me lembrava disso o tempo todo me enganou (meu
primeiro namorado). E quem não me lembrava disso nunca me enganou de forma
pior...são comportamentos que não tem relação entre si. E muito me admira eu
ter acreditado por tanto tempo que eles podiam ter.
Tenho medo de me envolver. E de me machucar. E de machucar o
outro. E isso me preocupa. Mas não sei porque mesmo preciso me preocupar com
isso agora. Vamos conhecendo. E testando. Um dia eu decido. Ou outra pessoa decide
por mim também. Se não estou pronta pra decidir não vou fazer isso com pressa.
Não estou enganando ninguém. Estou solteira e deixo isso claro o tempo todo.
Aliás, sobre estar solteira. Analisando bem, acho que acabei
dando mole pra todos os caras que sinalizaram estar a fim de mim. Não tenho
sido seletiva. Vamos aos fatos: achei ruim e reclamei de sentarem na mesa, mas
dei meu telefone pra um deles. E até aceitei a sair com um deles, mas não deu
certo. Não devo mais sair com ele e sei disso. O cara termina/volta pra
namorada. Deve/pode estar muito confuso. Que ele simplesmente se recupere
disso. Um dia, quem sabe. Espero conseguir dizer não. J O do Tinder que encontrei
passei um bom tempo pensando no que significaria não beija-lo. Pelo menos
consegui resistir e não dar um beijo sem ter vontade. Mas fiquei com Ponka,
fiquei com Cris (mas ele é lindo, gente – esse to perdoada), fiquei com quase todos
de Fortaleza que demonstraram algo... (deles todos, Rafa é meu carma, só lembro
dele, só deveria ter ficado com ele.) E beijei Half ontem. Ele não é tão
bonito, só atraente e de interessante pra sair de novo, não tem nada. Me levou
no papo. E talvez ainda consiga me levar de novo... A verdade é que ainda to
carente, mesmo com td isso. To escolhendo e talz, mas fico pensando se não
estou “me estragando” ao ficar com muitos. As vezes penso que ficar com muitos
pode me ajudar a escolher melhor quem eu quero, como eu quero e como me sinto.
Outras vezes, acho que ficar com muitos me ajuda a me conhecer melhor e sentir
minhas diferentes reações com os homens. Senti atração física pelo modo como
ele me olhou. E conversou. E me beijou. Sinto uma atração forte pelo Cris. E não
quis resistir a ela mesmo sabendo que é corpo...
E por que devo resistir? Sinceramente, acho
que essa historia de estar me estragando é mais um machismo meu disfarçado. Não
estou enganando nem aos outros nem a mim mesma. Sei bem o que sinto por cada
um. É corpo. É necessidade ainda de ser conquistada e admirada. Há de chegar um
tempo que a minha necessidade vai diminuir, pois será saciada. E há de chegar o
dia em que minha sensação ruim ao ser bem tratada vai diminuir também, pois
está exposta às contingências.
Que assim seja.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
E hoje a saudade bateu forte. Bateu um banzo louco. Não é so
implicância com a cidade, é dor de estar longe de tudo e de todos que amo. Aqui
tenho construído a minha chamada rede de apoio e de fato a convivência com a
cidade vem melhorando, mas ainda assim não me sinto
“Agora é hora de você se assumir e sumir”
Mas se assumir dói. Sumir dói. Crescer dói. Fazer tapioca e café
pra comer sozinha dói... Fazer meu almoço em casa e ir trabalhar todo dia dói...
Viajar só as vezes pra ver os meus dói mais ainda. Não ter mais momentos
reunidos com eles diariamente dói. Passar por essa reviravolta na minha vida
longe de tudo e de todos é loucura e às vezes, quando você simplesmente pensa
em tudo, você sente arder. E arde mais quando você se sente sozinho. Pior ainda
quando se sente sozinha “acompanhada”. Tava com mais uma das minhas companhias
masculinas de apoio e simplesmente me senti sozinha. Não que a companhia dele
não seja boa, pelo contrário. Me faz bem e me faz rir. Mas me faz lembrar que
no fim de tudo, estou só.
Sozinha. As vezes com amigas que estou fazendo.
As vezes com minha companheira de dor e de crescimento. As vezes... Mas no
fim de tudo, só. Mas aí eu lembro de um poema que li esses dias. Por que estar
só assusta tanto, se no fim das contas, nascemos e morremos só? E talvez esse seja meu momento atual:
aprender a ficar só. Aprender a construir relações, mas me mantendo só também.
A hora é de conhecer pessoas, conhecer o mundo dessa forma que estou agora e
como devo estar nos próximos anos: sozinha. Porque preciso aprender a me
bastar. Preciso aprender a ser completa de novo. Não acho que no meu
relacionamento usava ele pra me completar. Talvez as vezes eu realmente o
usasse como bengala mesmo. Mas acho que esse relacionamento mais me somava do
que me completava. Mas no fim de tudo, a forma como acabou, a impressão que me
dá é que uma parte de mim foi junto. Partes bonitas, partes infantis e
adolescentes.
Foi-se embora meu amor de adolescência. Foi-se embora um amor
bonito, inocente. Um jeito que eu tinha de acreditar no amor e nas relações. Um
jeito bonito de admirar um companheiro. Um jeito bonito de confiar. Isso foi
embora, eu acho, junto com a relação. Não caibo mais em um conto de fadas. Eu
cabia. E por mais que isso fosse bonito, o mundo não é um conto de fadas e não
posso mais viver como se fosse. Não que eu não vá mais conseguir amar ou me
entregar de novo. Devo conseguir. Mas nunca mais devo amar como amei. Talvez
ame até melhor, de um jeito mais real. Porque o real deve ser mais bonito que o
ideal, é só saber ver. J
É só uma maneira de enxergar. E que
venham amores reais... porque os ideais não são suficientes. E por isso mesmo
só são belos no modo superficial de olhar. Porque quero aprofundar. O desejo do
momento é esse.domingo, 1 de fevereiro de 2015
“Você é determinada”. “Você é
forte.” “vc tem opiniões fortes, levanta a cabeça sem esconder as lagrimas...”.
De vez em qdo escuto isso... E engraçado. Foi exatamente o que senti hj no
Centro Espirita. “Levante”. “Olhe em frente.”. Dolorida ou não, chorando ou
não...
E é isso que estou fazendo. Por
mais que doa quando lembro de tudo que sonhei e da forma como esse sonho foi jogado fora. Porque no fim, o que ainda
dói não é mais a relação ter acabado. Hoje vejo muitas coisas boas no fim dessa
relação. Tanto pra mim quanto pra ele. Mas me dói a forma como tudo aconteceu...
dói a imaturidade, a ingratidão, a covardia. Dói estar em uma cidade pequena e
ter que lembrar disso quase todo dia. Seja
por uma história minha ou seja pela de outros. Seja pelo reencontro meu ou de
outros. A mágoa permanece. E acho que ainda vai permanecer por um bom tempo...
Agradeço pela oportunidade que ele meu deu de reconstruir minha vida como venho
fazendo e por isso mesmo não o desejo mal algum, só bem. Mas não vou dizer que
já o perdoei completamente pela forma conduzida do fim.
Ontem tive mais uma vez a
sensação de que Caio trouxe a menina pra cá no período das minhas férias. Já
estava separada, mas achei um desrespeito porque eh minha casa. E eu estou pagando
o Ap sozinha desde então... Doeu. Na hora estava pra receber a visita de um
rapaz que conheci por meio de uma amiga.. =] Recebi, a noite foi excelente, mas
foi impossível não lembrar das relações novamente e de como tudo teve um fim.
Em nenhum momento fiquei triste na hora das lembranças, só senti um pouco a dor
e me permiti ressignificar meu apartamento e minhas lembranças.
E hoje num churrasco, numa
tremenda coincidência da vida, descubro que uma amiga conhece a atual namorada
do ex da minha grande amiga daqui.. Vi a dor nela. Vi uma dor amadurecida,
mas sabia que era doloroso. E revivi em parte a minha.. E aqui estou eu, nesse
texto, tentando enxugar as lagrimas mais uma vez e me reconstruindo de novo.
“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. (Guimarães
Rosa)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Sobre a reconstrução e estar abertas a novas experiências
Bom, logo que cheguei aqui ainda revivi parte do fim. Foi
muito dolorido encarar o AP de novo, ainda com as coisas dele. Foi mais
dolorido ainda encontrá-lo pra entregar qlq coisa que fosse. Recebe-lo em uma
dessas vezes, conversar e perceber a mesma frieza, imaturidade e ao mesmo tempo
declarações vazias de “sinto sua falta”. E depois dessa conversa, resolvi
simplesmente não falar mais com ele, ao menos por enquanto. Evitar contato.
Ajuda a esquecer. Ajuda a apagar a dor que vc sente... Infelizmente parece que
cidade pequena é uma praga e as coisas lhe perseguem. Eis que em uma saída vi
uma amiga da dita cuja com quem meu ex marido teve/tem um caso. Ela estava lá,
em uma mesa, acompanhada de um amigo de um amigo em comum... sendo mal tratada
pelo seu companheiro. Depois descubro que é mal de amigas e ela tem um caso com
a criatura que estava com ela e que ele na verdade é casado. Senti pena dela.
Mas tbm senti raiva de estar ali e de ter que vê-la, reviver a situação. Saí
chateada. Mas depois tive um final de semana muito bom, com excelentes
companhias... J E
aí acordei na segunda renovada. E disposta a agradecer caso eu o encontrasse.
Um pouco mais gordinha ou mesmo mais magrinha, sou desejada. Sou bonita e sou
uma boa companhia. E tenho vivido experiências maravilhosas. E só as vivi
depois que me separei. Sabe o que é melhor de tudo? É a sensação de que não
quero mais a vida que eu tinha de volta... Ela não era boa. Eu não tinha um
companheiro. Eu tinha um egoísta ao meu lado que eu acabei me tornando um pouco
dependente emocional. Não, não quero mais viver o que eu vivia. Quero minha
vida de hoje. Assim, livre, leve, solta. Paquero um, paquero outro. Fico com
alguns. E ninguém tem nada com isso. Já começo a sentir falta de um
relacionamento. Mas por enquanto, só analiso e observo, como dizem... rsrs.
Agora, a hora é de selecionar que tipo de relação quero pra mim. E só escolho,
vivendo-as. ;)
Beijos, meu povo!
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Sobre a raiva que ainda sentia. Texto de dez dias atrás. Hoje devo escrever um novo e amanhã publico! ;)
É, ainda sinto raiva. Isso
significa que ainda gosto de alguma forma, pois as coisas ainda me afetam. E
isso me incomoda. Mas o grande lance é
aceitar uma coisa de cada vez e não negar mais meus sentimentos. Ainda sofro ao
lembrar, é verdade. Mas tinha como ser diferente? Foram dez anos e dei tudo que
podia pra salvar esse relacionamento. E no fundo, acho que queria mesmo que ele
mudasse e eu percebesse essa mudança. Mas não há mudanças. E não haverá. Não
agora. Quem sabe um dia no futuro ele aprenda a se relacionar... Espero
sinceramente que isso aconteça. Mas na verdade, o que espero pra ele alterna.
As vezes quero que ele sofra bastante. E que outra mulher faça com ele parecido
ou pior. Outras vezes, quero que seja feliz e consiga de fato se relacionar com
outra mulher e manter esse relacionamento sem os problemas que ele acabava
gerando.
Se existem mesmo as fases do
luto, é possível que tenha passado um tempo negando meus sentimentos e agora eu
esteja em uma fase de “revolta” comigo mesma. Mas se existe, já estou a caminho
da aceitação. Sinto raiva até dele dizer que sente minha falta. E acho que sei
porque é. É porque dizer que sente minha falta é uma forma de tentar se manter
preso a uma história que nem ele mesmo saberia reconstruir. E se não sabemos, deixemos
quietos, cada um com sua dor, que um dia passa. Cada um tenta reconstruir sua
vida da melhor forma. Tentar se manter preso a algo que não trará um futuro bom
não vai nos levar a nada...
Pensei agora em tentar escrever
isso e entregar a ele. Talvez ele não saiba o quanto isso pode nos fazer mal.
Outras vezes, acho que sabe, mas continua na tentativa de me manter ali, ainda.
Não sei, mas na hora que pensei nisso, as magoas vieram tds de novo a tona.
Cartas... Não. Seria valoriza-lo novamente. E tudo que ele não merece é uma
valorização minha. A extinção é sempre a melhor saída. Que a resistência a
extinção um dia desapareça. E um dia ela vai desaparecer. Vamos dar tempo ao
tempo.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
“E
vi que é bem melhor não perguntar
Por que é que tem que ser assim
Ninguém jamais pôde mudar
Recebe menos quem mais tem pra dar”
Por que é que tem que ser assim
Ninguém jamais pôde mudar
Recebe menos quem mais tem pra dar”
E
hoje a raiva doeu novamente. E doeu por mágoa, por ingratidão. Quarta, quando
cheguei na cidade em que trabalho, as coisas dele ainda estavam aqui. E não
tive mais paciência. Se moro só, se estou solteira, preciso estar
definitivamente, em todos os sentidos. Preciso inclusive sair desse
apartamento, comprado pra nos dois. Foi um investimento, foi mas foi um
investimento errado, na e com a pessoa errada. Então que se chegue a um ponto
final. Ajeitei as coisas em uma mala, entrei no carro e fui deixar no trabalho
dele. Sem alardes. Simplesmente pedi pra ele sair e trocar as coisas de um
carro pro outro. Ninguém precisava ver. E Ninguém viu. Daí hj, ele volta a
mandar mensagens pedindo uma caixa de guitarra e um amplificador e pediu pra eu
deixar no hall do prédio porque ele não queria me ver. Na hora me deu um misto
de raiva, dor e humor. Pera aí, É isso mesmo? Eu que tinha todos os motivos pra
não olhar mais na cara dele e muitas vezes calei pra não magoá-lo e terminar
tudo numa briga maior ainda e agora ele diz que não olha mais na minha cara?
Ah, fala sério. Paciência zero pra chilique e imaturidade. La fui eu, indignada
de protagonizar uma cena ridícula que é por as coisas do ex marido no corredor
do prédio pra ele pegar. E quando estou eu na execução, a criatura chega, toca
a campainha. Fui abrir e preferi nem tentar entender. Ajudei ele a levar as
coisas pra baixo e pronto. Que seja rápido. E aí depois ele manda mensagens
dizendo que não há magoas de mim, so saudade. Não sei, mas isso me afeta mais
do que eu gostaria ainda.
A
imaturidade, o não saber dizer, o não saber como se comportar, tudo isso...
pensando bem, era o esperado. E mesmo assim dói. Dói mais ainda saber que foi
justamente por conta de tudo isso que acabou. E que nada mudou ou vai mudar. Eu
preciso simplesmente continuar meu caminho, como venho fazendo. Já nos diz
Skinner que a melhor forma de retirar um comportamento de um repertório é
instalando outro com a mesma função... Continuarei a me dispor a essas
atividades que me fazem bem. =] Viajar, sair, me divertir e paquerar. Me sentir
desejada faz parte da minha reconstrução!
“mas
não tem revolta não. Eu so quero q vc se encontre.Ter saudade ate que é bom, é
melhor que caminhar vazio. A esperança é um dom que eu tenho em mim.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Olá a tod@s! Voltei! rs. Primeiramente um 2015 perfeito pra gente, ne? =] Cheguei de viagem com minhas amigas e passei pra dar uma atualizada nisso aqui e no que venho sentindo/pensando! Foi uma viagem emocionante, como não podia deixar de ser. Na companhia de amigas que conheço há cerca de 15 anos a viagem é sempre maravilhosa, ainda mais na companhia de uma família que me acolheu tão bem, como não me sentia acolhida pela minha própria (a não ser claro, em algumas exceções, após a separação e as falas que são inevitáveis.) =] Me sinto mais forte hoje (apesar de doente, hahaha) pra voltar pra minha rotina e retomar minha vida. Meu corpo já sente falta de uma rotina com alimentação adequada, mais calma e com atividades físicas regulares. E vamos que vamos. Pra mais um ano. Pra mais uma temporada da minha vida, agora solteira, morando só em uma cidade machista do interior. (aiai. Que não me faltem forças pra lutar!)
Depois escrevo mais!
:*
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
E ontem e hoje a dor e a saudade doeram um pouco. E é normal
que doa. Explico as situações: o ex resolveu vir falar comigo pra me pedir desculpas por me retirar do
facebook, já que não estava se sentindo bem com a situação. (já não fazia
isso desde a última conversa em que tinha pedido que se afastasse
definitivamente, não entrasse mais em contato e retirasse todas as coisas do
apto - o que foi há pouco tempo, pois em
uma viagem não planejada a cidade em que moramos me dei conta das coisas dele
ainda lá. – Ele tem lidado pessimamente
com o fim, mas aí é outra hstória) Eu apenas disse que
tudo bem... Mas na hora eu senti um misto de saudade e dor. E eu deixei doer um
pouco, porque sei que ainda pode doer, mas um dia passa. E é preciso saber
lidar com a dor. Aos poucos foi passando. Já hoje, uma amiga pediu pra eu
passar na casa dela e pegar umas coisas pra viagem que vamos fazer juntas
nessas festas de fim de ano. Fui e estava tranqüila, quando ao refazer aquele
caminho já tantas vezes feito (somos amigas desde a quinta série, nos
aproximando mais ainda no primeiro ano do ensino médio...), me lembro que a
minha história com o ex começou lá, na casa dela, numa tarde em que tínhamos
ido assistir a um filme. Lembrei da cena e doeu de novo. Fiquei com lágrimas
nos olhos e ao estacionar em frente à casa, me dou conta de como a casa dela
está diferente depois de tantas reformas. (Devo dizer aqui que está linda!) E
sorrio pensando: é isso. Nada mais é como era antes...Nem a casa, nem eu, nem
ele. Algo mudou muito. E ainda vai mudar mais. E permitamo-nos mudar e aceitar
o novo que vem. J
Estranhamente ou não, tinha acabado de ler uma frase no livro que venho lendo
quando estava no salão de beleza:
“(...) Essa é a parte dolorosa. O amor não nos deixa. Não
todo de uma vez. Ele volta furtivamente, faz com que se pense que pode haver
outro caminho, que ainda pode ser diferente, e nos obriga a lembrar as razões
pelas quais provavelmente não haverá (...)”
A propósito: o nome do livro é A festa do Divórcio, da Laura Dave. É um romance divertido e tem me feito bem! (agradecimento a minhas amigas que indicaram! :***)

Se eu não escrever mais, desejo as mais maravilhosas festas de fim de ano a tod@s que estão lendo esses textos! Beijos!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
O significado da palavra “resistir”
Ontem, Durante um almoço em família escuto a minha avó
dizer, em meio ao papo de paixões e relacionamentos que começou porque meu
irmão estava com a namorada e não com a gente, ela solta a máxima: “é, mas nem
sei se é bom casar assim, apaixonado, depois não agüenta nada. Eu que agüentei tudo”,
transparecendo um certo orgulho. Eu lancei um olhar crítico à mesa pedindo
ajuda pra eu não falar e “provocar” uma briga familiar.
Tenho ficado cada vez mais cansada pra esses comentários e
esses pensamentos. Por que a mulher tem que agüentar tudo em nome de um
relacionamento? Se valer a pena, pra ela, ok, mas quando a gente percebe que
não vale mais, tem que continuar agüentando em nome de que? Em nome de uma
promessa que você fez, sendo que vc sofreu muito nesse ultimo ano em nome de
uma mesma promessa? E não é só sofrimento, é você olhar e se perguntar se vale
a pena aquilo ali. Se valer, se vc achar que terá bons momentos que compensem,
siga em frente. Eu, infelizmente ou (felizmente, dadas minhas ultimas experiências,
hahahah) achei que não valeria mais a pena seguir. E não, não acho que
relacionamentos não tenham problemas. Não, não tinha o casamento perfeito e
sabia que teríamos crises. Tivemos uma séria. E eu tentei resolver de muitas
formas, mas não senti investimento da parte dele. E foi aí que bateu o
sentimento de: eu to “resistindo” e “agüentando” sozinha. E ae? É esse o
relacionamento que quero daqui pra frente? Resistir e agüentar sozinha nos
momentos de crise? Me separei um tempo pra pensar e viver outras coisas, como
disse no texto anterior. E aí eu tive a certeza de que não era mais aquilo que queria...
ainda dói e ainda sinto falta, mas como não sentir? Foram dez anos. E apesar de
hj perceber que não era a melhor companhia do mundo como eu achava, foi a
companhia por dez anos. Daí me veio a idéia de escrever sobre.. o que é
resistir? O que é suportar? De acordo com o dicionário, suportar significa conservar
a força, não desistir, não sucumbir... E quem disse que eu sucumbi? O casamento
sucumbiu, mas no casamento, há duas pessoas que tentam fazer algo não sucumbir
nesses momentos... e quando uma resiste demais, ela mesma tende a sucumbir. E
antes que isso acontecesse eu não permiti. E me permiti não resistir de um lado
pra resistir de outro. E venho resistindo. =] E venho vivendo e sonhando coisas
que não sonhava e vivia antes. E nem sabia que gostava...
Agora é tempo de viver só comigo mesma e me descobrir. Estou descobrindo. E estou gostando.
Agora é tempo de viver só comigo mesma e me descobrir. Estou descobrindo. E estou gostando.
Que venha o novo, que venha o ano novo, que venha 2015!
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